Thursday, October 24, 2019

Joacine, ou uma máquina de fazer racistas


Não serei a pessoa mais indicada para defender a estética da bandeira nacional que nos legou a revolução republicana mas o ponto não é esse. Admito que talvez se não devesse valorizar este vídeo com um energúmeno a tecer considerações ofensivas sobre os símbolos que a nossa bandeira ostenta – o que de melhor nela se aproveita, porque reflecte a nossa História como comunidade com quase de 900 anos de caminho. Mas o facto é que este discurso, proferido na manifestação que juntou uma multidão de 50 apoiantes (mais ou menos o número de amigos que reúno no meu aniversário no pico de Agosto) de Joacine Katar Moreira em São Bento há dias, é intolerável e deve deixar-nos apreensivos com que o que aí vem em matéria de ruído e distracção com o novo parlamento. Perante afirmações como estas: “uma bandeira que exalta uma determinada forma de encarar o mundo racista e imperialista, (…) falamos das quinas que representam supostamente as chagas de uma determinada entidade que me escuso de referir (…) o império representado pela Esfera Armilar que representa a exaltação da conquista que na perspectiva de milhões e milhões de homens e mulheres assassinados significou destruição da civilização”… depois digam-me que o grande problema em Portugal é André Ventura - que ao lado destes marginais a instigarem o ódio e a fractura afinal é um menino.  


E não, não me parece que haja razões para rir, desconfio que nesta nova legislatura vai ser difícil o bom senso e a moderação fazerem-se ouvir, lá isso vai.

4 comments:

  1. Bons dias João
    RACISMO E OSTRACISMO
    Como uma boa parte daqueles que fizeram a guerra do Ultramar, tecnicamente a guerra colonial, não me sinto minimamente racista. Um numero significativo dos amigos/as do meu filho têm a pele mais escura do que ele, tecnicamente são pretos de cultura luso africana.
    Compreendo, embora não seja obrigado a concordar, as razões taticas que terão levado essa senhora, provavelmente Doutorada com alguma benevolência em "Estudos Africanos", a fazer da diferença dicotómica um rasgão de acesso a algum eleitorado em carência de identidade.
    Não li a sua tese de Doutoramento e arrisco-me a ser injusto, mas procurarei remediar essa lacuna. Aproveito para pedir ao nosso respeitado amigo Bobone se sabe como posso aceder a essa tese, para poder (ou não), transformar um mero palpite numa avaliação com conhecimento de causa.
    E retomarei o tema do racismo. porque as diferenças de todo o género são uma temática posh e fashionable.
    Também não presenciei, apenas ouvi ecos, da repugnância e alergia com que os sobreviventes CDS terão acolhido um eventual contacto físico com o (para já) solitário deputado do Já Chega.
    A fazer fé no que me chegou, essa repugnância teria chegado ao ponto de obrigar o venerando e vitalício presidente da Assembleia da Respúbica, a encarar a hipótese de mandar abrir mais uma porta, porta essa susceptível de resguardar a epiderme delicada dos eleitos do CDS da possível contaminação física adveniente do roçagar inadvertido com um pária do "Já Chega"..
    Arrisco-me a descortinar no zelo brâmane dos Centristas um pavor aterrorizado, por razões que eles lá saberão.
    Ou será apenas um fenómeno de fragilidade identitária adveniente do culto posh e fashionable das diferenças de todo o género.
    Tudo isto são manifestações paroquiais e diminutas, que me alertaram para o facto insólito de os comentários da oficial TVE, por ocasião da trasladação dos restos mortais do Generalíssimo, terem procurado, apesar de tudo, dar uma no cravo e várias na ferradura, contrastando com relato sectário que as televisões lusas fizeram do mesmo evento.
    Abstenho-me de comentários, está na hora de reler o Conde de Abranhos
    Abraço Cordial
    Anónimo Lamas de Mendonça

    ReplyDelete
    Replies
    1. Gosto de aqui te reencontrar, gosto de te tentar entender.
      Também me pergunto porquê de tanto zelo de muitos meus companheiros de estrada em apoucarem o CDS - Um CDS mais fraco é um Portugal mais pobre (p. ex. é o partido onde eu encontro mais monárquicos - desconfio que ate sejam a maioria).
      Os meus adversários são outros, como podes verificar pelos meus textos - que às vezes fico na dúvida se verdadeiramente os lês (pelos comentários não se nota).
      Forte abraço!

      Delete
  2. Caro João
    Contornaste a equiparação subjacente.. O licenciado Costa costumava seguir o mesmo artifício para não responder a questões pertinentes da Dr.ª Cristas.
    O contágio deverá ser apenas dialéctico, pois não me conta que comas à mesma mesa dos unhappy few.. Ou muito menos que corramos o risco do dissabor de tropeçar neles nos teus anos.
    Há uns anos depositei esperanças numas piquenas, algumas delas notoriamente inteligentes, estudadas e sabendo do que falavam.
    Não as ostracizei com apriorismos do lugar comum democrático-selectivo de serem canhotas, ou da extrema sinistra. Brain era (e continua a ser) apenas Brain, e é sempre bem-vindo por se diferenciar do coro repetitivo dos onagros.
    Enganei-me. Não apenas se desleixaram de cumprir o seu manifesto anti-sistema, como foram fagocitadas pelo regime a que pertencem. Queiram ou não.
    Leio-te com a máxima atenção. Sempre. Mas isso , como o teu simpático Sportinguismo, não significa que me resigne a que fiques com a bola com duas fintas de corpo e um drible.
    Responde-me frontalmente
    Neste caso específico que te apontei O CDS demonstra terror, ou limita-se a alinhar com um ostracismo politicamente racista?
    Com um sorriso que não e de ironia, mas sim de tristeza preocupada.
    PS as minhas ausências devem-se, como outras, a compromissos em Baicau, ou inadiáveis reuniões de família em vários Shloss do Luxemburgo e da Pomerânia.
    O abraço, sempre, e muito por cima de tudo.
    Manuel Mendonça

    ReplyDelete
  3. Ontem, enquanto fazia zapping pelos canais ditos de informação, fui dar com um debate que me deixou estupefacta. Uma senhora reclamava o seu direito a que, nas escolas, não se pusesse nas cabeças das criancinhas de 3 ou 4 anos confusões sobre sexos e queria poder exigir que só lhes fossem ensinadas as diferenças entre os dois sexos, masculino e feminino. Resposta do advogado de serviço: “isso é discurso de ódio!”.....
    Assim mesmo! Foi na tvi24 por volta da 22:30h

    ReplyDelete

O espelho de Alcácer

O ruído da espuma dos dias nos noticiários cansa-nos, avassala-nos e, não raras vezes, anestesia-nos a alma. Por isso, a nossa primeira reaç...