Thursday, April 2, 2026

Quem diz a verdade não merece castigo

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Desculpem-me qualquer coisinha, mas esta manhã em São Bento nas celebrações do 50º aniversário da Constituição, se houve bronca, essa desta vez não foi causada por André Ventura. Ouvi há pouco o registo da sua intervenção, e para lá de algum exagero retórico e da habitual excitação vocal, concordei genericamente com o que disse. “Quem diz a verdade não merece castigo”, lá diz o povo.

Como refere Rui Ramos no Prefácio do livro “No Terramoto de 1975” de Tomás A. Moreira recentemente publicado, “Ainda não é claro o número de presos por motivos políticos entregues às autoridades militares, entre 28 de Setembro de 1974 e 25 de Novembro de 1975. Foi certamente mais de um milhar, e durante todo esse tempo deve ter havido sempre muito mais presos políticos em Portugal do que havia no fim da ditadura do Estado Novo.(…) O Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre Presos Sujeitos às Autoridades Militares, (…) reconheceu que Portugal vivera, em 1974-1975, durante o PREC, um «quadro histórico de Terror», uma «situação de não-direito», correspondendo a «prisões arbitrárias, falta de garantias judiciárias, tortura, tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes da pessoa humana, e outras violências e abusos»”

O que ampliou substancialmente o impacto do discurso de André Ventura foi o amuo dos “deputados constituintes”, quais marretas empedernidos, que com total falta de fair-play democrático e espalhafato decidiram abandonar o camarote – perdão, a galeria.

A democracia é um sistema sem dúvida desafiante, principalmente para os seus protagonistas. Exige-lhes capacidade de encaixe. Pela amostra, os deputados constituintes têm pele fina, estão mal-habituados: não imaginam o que é viver mais de 50 anos num território politico-cultural hostil. Habituem-se!

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