
Receio que o conflito no Irão não vá acabar exactamente ao gosto de qualquer democrata idealista, num consistente e duradouro projecto de paz para a região, mas não pelas razões comumente apontadas, a imprevisibilidade e desvario das comunicações de Donald Trump. Sim, em defesa das minhas virtudes, tenho a declarar que também sou dos que estranha que tal figurão tenha ascendido a presidente do mais poderoso país do Mundo. O problema é que Trump tem funcionado para a generalidade da opinião pública portuguesa como um foco de luz, que como acontece com as traças, atrai os olhares cegando-os para tudo o mais à volta. Talvez por influência do jornalismo de esquerda e da velha tradição terceiro-mundista dos “não alinhados”, muita gente ainda tem dificuldade de perceber que, apesar dos muitos e complexos problemas que enfrenta, os EUA continuam a ser a terra da liberdade e das oportunidades. Olhem só para os problemas que os sucessivos governos vêm enfrentando com a imigração…
Ora acontece que, como a maior parte dos meus leitores sabem, Trump não é um marinheiro bêbado ao leme dum navio desgarrado. O presidente dos EUA tem poderes limitados devido ao sistema de freios e contrapesos entre os poderes Executivo, Legislativo e Judicial. Além disso, a autonomia dos estados federados também restringe acções presidenciais, pois cada estado controla áreas como educação, saúde e impostos. Para implementar políticas nacionais, o presidente precisa negociar com o Congresso, com o Supremo Tribunal, com governadores e legisladores estaduais, que asseguram a descentralização do poder e o processo democrático.
Quanto à guerra e política internacional Donald Trump também se defronta com bastantes limites. A maior parte dos seus dichotes à entrada ou saída daquele esplêndido helicóptero verde, servem apenas para consumo mediático – um pouco à maneira de Marcelo que era mais inconsequente. Saibam que para decisões importantes na política externa norte americana é necessária aprovação do Congresso, responsável por tratados e sanções. Mais, apesar de ser comandante das Forças Armadas, o presidente depende do Pentágono e do Congresso para definir estratégias e orçamentos militares. Decisões militares são obrigatoriamente partilhadas com conselheiros e há fiscalização constante, de modo a evitarem-se poderes unilaterais.
Onde eu quero chegar é à conclusão de que os EUA, ainda são um país extraordinário. Quem assistiu na noite de um de Abril (até parecia mentira) à partida do foguetão Artemis II rumo à órbita lunar com quatro tripulantes a bordo, tem um sinal nesse sentido.
Senão vejamos: a missão Artemis II tem como objectivo testar a nave Orion no espaço profundo, levando quatro astronautas num voo pela órbita lunar para preparar a alunagem prevista para a missão Artemis IV. A Orion dispõe de um habitáculo mais espaçoso e tecnologias modernas, incluindo computadores mais rápidos e sistemas avançados de suporte de vida. O lançamento é efectuado pelo foguetão SLS, que permite a trajectória directa até à Lua. O projecto destaca-se também por envolver uma forte cooperação internacional, com especial relevo para os Estados Unidos, o Canadá e a ESA (Agência Espacial Europeia), além de empresas como a Lockheed Martin, Boeing, Northrop Grumman, Airbus e Aerojet Rocketdyne. Países como Portugal, o Brasil e o Reino Unido são signatários dos Acordos Artemis. Cada lançamento custa cerca de 4 mil milhões de dólares, enquanto o investimento total está estimado entre 90 e 100 mil milhões.
Quando em 2028, se tudo correr como previsto, a missão Artemis IV pousar na Lua, sendo ou não Donald Trump o presidente dos EUA, estarei em frente à TV a torcer pelo seu sucesso. O mesmo é dizer pelo sucesso desse grande país, terra de liberdade e oportunidades, onde ainda se privilegia a criatividade e empreendedorismo. Apesar de tantas sombras e nuvens negras, e do seu actual presidente.
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