Wednesday, February 18, 2026

As cinzas da civilização

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Num zapping rápido ao chegar a casa constato que os canais de notícias estão todos a debater em grande berraria o caso acontecido ontem durante o jogo entre o Benfica e o Real Madrid na Liga dos Campeões, em que o extremo benfiquista Prestianni, tapando a boca, alegadamente e sem que se possa fazer disso prova, terá proferido insultos racistas contra o jogador madrileno Vinícios. Pelo tom dos debates, tudo leva a crer que o jogador benfiquista está condenado à partida e sem julgamento, porque a expressão de racismo é, nos dias que passam, o mais hediondo crime à face da terra. Por isso se exige-se uma educativa imolação de um cordeiro sacrificial para pedagógica lição da populaça.


Sinal destes laicos tempos, pensei eu, lembrando-me que hoje é Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma. Para quem não sabe, explico que as cinzas, que num ritual da tradição católica hoje serão na Missa impostas na testa dos crentes em forma de cruz, possuem um carácter simbólico, como chamamento à conversão, à penitência e à mudança de vida, bem como à recordação da condição frágil e transitória da existência humana. Do pó todos viemos e ao pó retornaremos – negros, brancos, amarelos, peles vermelhas e outras etnias.


Vale a pena tanta gritaria por causa duma altercação entre jogadores de futebol?

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