Thursday, January 8, 2026

Finis Laus Deo

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O tempo de Natal da Igreja Católica só termina no próximo Domingo, mas o rasto das festas já vai desaparecendo do nosso quotidiano. Diz a tradição que, 6 de Janeiro dia de Reis é referência para as famílias desmontarem os presépios e os enfeites natalícios, uma coisa bem pensada para que, no início do próximo Advento, lá para o mês de Dezembro, a instalação com renovada criatividade cause algum impacto e comoção, anunciando a chegada do Salvador.


Cá por casa, ainda com alguns adereços por retirar junto aos cartões de Boas Festas por recolher. Permanecem ainda na caixa das bolachas fatias de Bolo Rei devidamente torradas, capazes de acompanhar um chá numa tarde fria de Janeiro. Os restos de Bacalhau Espiritual, de perú e de castanhada foram sendo consumidos, e das festas gastronómicas já só sobram uns poucos bombons, quase só de chocolate branco ou negro, e no frigorífico ainda restam duas garrafas de sumo Compal.


Na verdade, para nós a agitação do mundo quase que parou entre o Natal e o Ano Novo. Depois, ainda sucederam uns quantos encontros com entes queridos tresmalhados, que se impuseram com mais gulodices, e desembrulhos de presentes atrasados. Já sobram poucos.


Habituámo-nos a nos reunir sempre à volta da mesa (era assim que Jesus fazia com os seus amigos) e esta quadra é tempo de reencontros. Talvez por isso, por demasiado tempo ainda subsistiu uma certa sensação de ressaca, um sentimento de preguiça e alheamento, que o excesso de festejos por certo ampliaram. Alguns como eu, reforçando visitas ao ginásio, vão tentando recuperar a energia e repor os níveis de vivacidade necessárias para a retoma do quotidiano de uma vida de exigente acuidade. Mas a névoa no espírito tarda a dissipar-se, mesmo com as rotinas retomadas.


Privilegiados, vivemos um feliz Natal, mas damos Graças a Deus pelo fim da quadra de festas.

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