Tuesday, March 19, 2024

Dia do pai

Só quem leva a sério o seu papel de pai, sabe como é ingrata essa tarefa. Logo de início, quando os filhos nascem, entendemos como o nosso papel é secundário, subsidiário em face ao da mãe com que um dia quase foram um só. Se nessa altura, na revolução que é a chegada de um novo ser à família, a prestação do homem é preciosa para manter a ordem na casa e libertar a mulher para aquilo que seja insubstituível no cuidar do bebé, é então, ao apreciar aquela relação que nos percebemos como somos assessórios.


Sim é verdade, maior do que as conquistas de emancipação feminina nas suas carreiras académicas, de ministras, deputadas e até no futebol; a maior “revolução” dos tempos modernos é a chamada do homem ocidental à assunção plena da paternidade. Hoje ninguém se choca com o pai presente desde o parto: conhecemos os nossos filhos desde muito cedo, com a ajuda da pele e de uma enorme cumplicidade. Com muitas canções, lengalengas, fraldas, banhos de banheira, de mar e de mundo.


Não me é difícil reconhecer que nem sempre consegui cumprir o meu papel da forma mais nobre, porque é deveras exigente. Quantas vezes aceitar ser secundário, amar sem reivindicações, refrear a testosterona, as fúrias, os medos e aflições, aprender a gerir silêncios e concessões - nem sempre nem nunca. E o mais difícil, aceitar pacificamente a autonomia crescente dos filhos, de os ver partir devagar ainda em casa, às vezes de costas voltadas, que é a forma mais fácil de preparar uma despedida.


De resto, tenho o São José como o meu herói entre os Santos. Uso uma medalha perto do coração e dei o seu nome ao meu filho mais pequeno. Na esperança de que a sua santidade inspire os meus passos.


 

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