Sunday, March 19, 2023

A era do pai

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A maior “revolução” operada na sociedade contemporânea, subtil e orgânica, é aquela que acontece na relação entre o pai e os filhos. Maior do que as conquistas femininas nas suas carreiras, de ministras, deputadas, dirigentes ou simplesmente nos estádios de futebol.


Os sinais de mudança começaram há alguns anos e o meu pai ainda esboçou algum esforço, em desajeitadas mas sinceras expressões de afecto e cumplicidade. Mas a rigidez dos “papéis” estava-lhe demasiado impregnada. Assim como a solidão.


A maior “revolução” dos tempos modernos é a assunção da plena paternidade. Sim! hoje, conhecemo-nos cedo, com a ajuda da pele e de uma cumplicidade morfológica. Com muitas canções, lenga-lengas, fraldas, banhos de banheira,  de mar e de mundo. 


Alcançado tudo isto, que venha a vida toda, os papéis, os "terrores" das adolescências, separações e outras tempestades. Deste modo por certo resistiremos às provas do desamor, e sairemos todos mais realizados e mais fortes... o que já não é pouco. 


Dedicado aos meus filhos e à memória do meu Pai.


Reeditado - Publicado originalmente nesta data em 2012

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