Sunday, December 22, 2019

A propósito de trincheiras

São Jose.jpg


Sonho de São José. Século XIII. Mosaico no Batistério de São João, em Florença.


Toda a minha vida, que já vai longa, pela altura do Natal me desejaram e eu retribuí de boa fé os votos de "Boas Festas", uma saudação que tenho como cheia de dignidade e bem intencionada. Aqui chegados deparo-me com uma tropa de fariseus a corrigir-me a linguagem, logo a mim que nunca entendi os festejos desta quadra sem ser por causa do nascimento do Salvador.


Recurso-me a que cada minha frase tenha de corresponder a uma declaração de crenças e convicções - e principalmente detesto ser policiado. Não sou vigário mas dispenso que me venham ensinar o Pai Nosso. Para mais as trinchieras, além de serrem insalubres, são lugares onde não cabem muitas pessoas - coisa pouco própria para cristãos.   

1 comment:

  1. Recordando Platão, lembrando Bento Espinoza, através das três fases do pacto de J J. Rousseau, e apertado pelo imperativo categórico de Kant, posso plagiar J. Adelino Maltez, lembrando-te que entre a utopia e o mito, os homens de boa vontade não cabem em trincheiras.
    Isto desde o Ocidente que derrete, ao Grande Oriente das regulas e dos régulos.
    Desde logo porque são muito poucos.
    E depois porque as trincheiras foram escavadas como abrigo ilusório das multidões atingidas pelo elogio da cegueira. Cegas, ceguinhas de todo, com o seu naco de interesse ou a sua crosta de verdade.
    Em verdade e em verdade (sempre parcial ou residual) te digo
    Não existem trincheiras para os homens de boa vontade
    Desde logo porque são muito poucos.

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