
Sonho de São José. Século XIII. Mosaico no Batistério de São João, em Florença.
Toda a minha vida, que já vai longa, pela altura do Natal me desejaram e eu retribuí de boa fé os votos de "Boas Festas", uma saudação que tenho como cheia de dignidade e bem intencionada. Aqui chegados deparo-me com uma tropa de fariseus a corrigir-me a linguagem, logo a mim que nunca entendi os festejos desta quadra sem ser por causa do nascimento do Salvador.
Recurso-me a que cada minha frase tenha de corresponder a uma declaração de crenças e convicções - e principalmente detesto ser policiado. Não sou vigário mas dispenso que me venham ensinar o Pai Nosso. Para mais as trinchieras, além de serrem insalubres, são lugares onde não cabem muitas pessoas - coisa pouco própria para cristãos.
Recordando Platão, lembrando Bento Espinoza, através das três fases do pacto de J J. Rousseau, e apertado pelo imperativo categórico de Kant, posso plagiar J. Adelino Maltez, lembrando-te que entre a utopia e o mito, os homens de boa vontade não cabem em trincheiras.
ReplyDeleteIsto desde o Ocidente que derrete, ao Grande Oriente das regulas e dos régulos.
Desde logo porque são muito poucos.
E depois porque as trincheiras foram escavadas como abrigo ilusório das multidões atingidas pelo elogio da cegueira. Cegas, ceguinhas de todo, com o seu naco de interesse ou a sua crosta de verdade.
Em verdade e em verdade (sempre parcial ou residual) te digo
Não existem trincheiras para os homens de boa vontade
Desde logo porque são muito poucos.