
Com a chegada dos ultraliberais da IL do Carlos Guimarães Pinto à disputa eleitoral (facto que a par com o novo partido de direita radical de André Ventura para todos os efeitos me parece uma boa notícia), encontro num comentário a este texto de Pedro Borges de Lemos a controvérsia sobre uma suposta incompatibilidade do liberalismo com o comunitarismo. Serão os corpos intermédios e o associativismo forças antiliberais? A minha resposta é que não. Porque sendo eles emanação da vontade dos indivíduos livremente associados, constituem contrapesos essenciais para uma sociedade mais livre. Tenho para mim que a atomização social (fruto do individualismo) só serve para dar força ao Estado, que assim obtém um controlo efectivo sobre cada pessoa fragilizada porque descontextualizada e sem pertença. Ou seja, o liberalismo é defendido se o Estado for reduzido à expressão mínima e se no seu lugar, os indivíduos forem devidamente representados por instituições orgânicas de proximidade emergentes da sociedade civil com a família natural como célula base. Em tempos, nesta fórmula, caberia na parte superior da pirâmide aos municípios a gestão da coisa pública - hoje não tenho a certeza, tendo em conta a sua captura pelos partidos políticos e o declínio das velhas comunidades históricas e a concentração populacional em megametrópoles.
Pela minha parte revejo-me no CDS de Assunção Cristas. Entendo que faz falta a um país civilizado um partido conservador, que por natureza é moderado e não se envergonha de defender o comunitarismo integrando valores liberais eminentemente cristãos: cada indivíduo é de facto um ser único criado à imagem de Deus e capacitado de livre arbítrio. Mas nunca uma criatura de geração espontânea, sem contexto ou pertença, qual folha em branco, sem história ou sentido critico e à mercê das tendências conjunturais e da manipulação pelos mais poderosos – no caso, o Estado em roda livre. Agora, imaginem a quem melhor serve a brutal evolução da informática em rede nos últimos 20 anos. Há pouco mais de cem anos apenas os presos tinham algo parecido com um bilhete de identidade; posteriormente, a república alargou esse “privilégio” aos funcionários públicos; hoje, um quadro médio das Finanças sabe onde passei as férias, com quem trabalho, que livros leio e que tabaco fumo. Voltando à questão inicial: será o reforço e promoção dos corpos intermédios (a começar pela família) e do associativismo política antiliberal? Não tem sido a esquerda em nome da liberdade a promover o hiperindividualismo e o experimentalismo nos costumes? Vocês conseguem dormir descansados?
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