
É um costume pouco democrático mas o facto é que há demasiados políticos e "fazedores de opinião" sempre prontos a moralizarem sobre as formas mais ou menos legítimas de fazer política, na ânsia de limitarem a disputa e o espectro das ideias, sobre o que deve ou não ser tema de debate ou de campanha, quais as temáticas verdadeiramente elevadas ou rasteiras, populistas ou sofisticadas. Nessa lógica, recordemos que em tempos se pretendiam proscritos da agenda os temas económicos, que eram afinal meras "contas de mercearia", porque havia "mais vida para além do deficit". Por estes dias não são poucos os que consideram que os casos judiciais devem ficar de fora de discussão até que as decisões transitem em julgado, uma esperteza saloia para promover a impunidade dos protagonistas visados. Mas a temática que mais incomoda a intelligentzia regimental e de modo crescente à medida que as eleições se aproximam, são sem dúvida as chamadas questões de costumes que se eclipsaram dos debates. Como se houvesse questão mais determinante para o sucesso de uma civilização que a dos costumes. Curioso como as propostas dos partidos sobre o aborto (um assunto que o regime pretende arrumado e bem escondido das nossas consciências), a eutanásia, a adopção de crianças por homossexuais, o casamento, a família, a autodeterminação de género (o que quer que isso seja), as barrigas de aluguer, a liberdade religiosa ou até o multiculturalismo, acabam censurados dos discursos partidários, condicionados por um estranho puritanismo higiénico. O que há afinal de mais importante para uma comunidade do que os "costumes" em que as suas relações assentam, aquilo que ninguém quer debater e muito menos levar a votos? No fim, somos todos pela igualdade, social-democratas, ecologistas e anda toda a gente a brincar às alternativas. Depois queixem-se da abstenção.
Mas quem é que se queixa da abstenção ???
ReplyDeleteO sistema contorna-a com desfaçatez reduzindo-a a um simples indicador que não produz qualquer consequência
Quantas eleições assistimos já nas quais, não obstante se concluir que "a vitória pertenceu á abstenção" tudo continuou imperturbável, deduzindo-se resultados da minoria votante exactamente como se correspondessem á vontade expressa de uma maioria eleitoral?
E a confusão deliberadamente mantida entre votos brancos e votos nulos ?
Permanecemos, sufocados, neste País das maravilhas.
Se não te respeitasse tanto soltaria o comentário pícaro:
-Cantas bem. mas não me encantas!
O abraço amigo e compreensivo do
Manuel.
Meu caro Manuel
DeleteNeste blog nenhum freguês pode vir ao engano no que à cantoria diz respeito. Que te sintas sempre acolhido.
Forte abraço