A democracia, o mais frágil dos sistemas políticos, definitivamente sofre da atracção pelo abismo: na ânsia da disputa dos eleitorados, não satisfeitos com a armadilha da promessa da felicidade (o que é isso da felicidade?!) os políticos arrogam-se agora do poder de salvar o planeta. Todos sabemos como acabaram os salvadores da pátria, agora sujeitamo-nos aos salvadores do planeta? O melhor será rezarmos pelas nossas almas, que estamos feitos seja pela doença, seja pela cura.
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O espelho de Alcácer
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Meu Caro João: belo conceito, com núcleo e uma redonda membrana celular
ReplyDeleteA sério, acho isso mesmo
A natureza humana profunda não muda desde prá i 12.000 anos, quando sedentarizamos e começamos a organizar polis como Çatal Höyük, Mohenjo Daro ou Jericó. O hommo sapiens (essa designação ambígua) tornou-se bipolar e organizou as sociedades com o realismo egocêntrico e despótico de uma espécie de sobreviventes.
Ignoro se foi uma centelha divina ou uma necessidade inata de contrabalanço estabilizador que contruiu o nosso ADN tal como como existe.
Somos binários, pendulares, e, á escala da História, todas as tentativas de Criação do Homem Novo e das Sociedades para 10.000 anos sobrevivem, quando muito duas gerações.
É um facto.
Desde a nobre (mas desde logo limitada e dirigida) Democracia da polis Ateniense e, a partir daí, todas as camaleónicas formas de Democracia que, partindo sempre do mais cristalino dos objetivos: o interesse do Povo, acabaram por ser capturadas por interesses minoritários.
Tudo isto num crescendo de complexidade, da aldeia, á Cidade-Estado, ao País, e ao Imperio.
João, encerrou-se um ciclo com o nascimento da aldeia global e da engenharia social. O tempo Histórico deixou de residir em amanhãs que cantariam forçosamente num futuro mais que perfeito. Limita-se hoje a uma faixa momentânea de um presente, sempre em mergulho, e um jorrar permanente de futuros imperfeitos.
A Democracia a que te referes é um anacronismo que foi capturado, e formatado por mais uma das oligarquias que a natureza humana vai adequando á complexidade sempre crescente da sua organização .
Já não tem como objetivo o paroquial " a bem da Nação". Ostenta um frontão triangular, cuja alusão cresceu desmesuradamente, no simbólico, e onde se se encontra gravado apenas um desiderato eterno: o bem Comum do Planeta.
Que os detentores do poder e os beneficiários reais do sistema sejam hoje um escol percentualmente muito menor do que a pirâmide do chamado Antigo Regime tem sido irrelevante. A engenharia social progrediu astronomicamente desde o pão e circo.
Chegou-se á perfeição de cumprirmos aquilo que nos mando intimamente convictos de que a iniciativa é nossa e estamos a fazer vergar o estabelecimento pela força conjunta das massas globais
Oh ironia suprema, conduzidos mais uma vez por uma Joana do Arco cujo papel é desempenhado por uma nórdica impúbere, aparentemente saída do nada.
A tua Democracia nem sequer é frágil.
Não existe pura e simplesmente. Não passa de uma ficção anacrónica e paralítica
Cordialmente o teu
Manuel Lamas de Mendonça, hilota desta megapolis de cidades mortas (Isaac Asimov)
Abraço, Manuel. Gosto de te ler.
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