
Se como cristão não tenho dúvidas que o primeiro dever de uma pessoa decente é o socorro de imigrantes em apuros no mar, com base nesses mesmos princípios parece-me que não é bom que do lado de lá do Mediterrâneo transpareça a ideia de que o mar é uma fronteira aberta e uma via segura para o eldorado europeu. É que, se assim for, não só corremos o risco de nos tornarmos cúmplices das sinistras redes de tráfego humano, como seremos responsáveis para que mais e mais vidas inocentes de homens, mulheres e crianças se percam a meio caminho, afogadas em barcaças putrefactas, ludibriadas por cânticos se sereia homicidas. Definitivamente este é um problema complexo, um drama difícil de resolver, e para o qual se exige um debate racional e desapaixonado, desligado de disputas ideológicas. Por caridade.
Meu Caro João
ReplyDeleteInteiramente de acordo no plano ético abstrato dos grandes princípios a que, por vezes, e contra toda a evidência Histórica, por vezes ouço chamar sem o menor pudor, valores europeus.
Um simples prurido de curiosidade.
Todos nós sabemos que existem mais rotas de emigração, designadamente a do deserto e a chamada asiática, ao longo das quais morre quantitativamente mais pobre gente vitima do silenciado acordo Sykes-Picot e seus congéneres.
Porque motivo as ONG e os focos dos média mainstream pairam única e exclusivamente sobre a rota Sírio-Lampedusa ?
Será o Salvini italiano mais do que apenas uma voz incómoda para o Sossêgo da MittEurope ?
Perguntar não ofende!
Manuel Lamas Mendonça
Meu caro Manuel: se esses valores são abstractos têm de ter consequências concretas, no meu entender. O meu patriotismo não me leva a execrar os estrangeiros, antes pelo contrário. Percebo que em determinadas geografias europeias uma desregulada imigração seja causa de legitimas preocupações com o perigo do deslaçar cultural. Perante a inevitabilidade de futuramente termos de conviver com outras culturas e etnias (que vêm ocupar na nossa sociedade o espaço que a severa crise demográfica abre) é que luto pela afirmação dos valores identitários da cristandade em geral e pátrios em particular.
DeleteOutra coisa que me incomoda por estes dias é que houve tempos em que o pensamento de direita atraia gente decente e erudita, e recentemente parece que esse espaço vem sendo ocupado por personagens demasiado grosseiras. Estou certo que compreendes as minhas reservas.
Aceita o meu abraço de respeito e amizade,
Meu Caro João
ReplyDeleteParabéns, respondeste apenas e precisamente aquilo que corria a favor do teu moinho..
Se, por acaso, tivesse pretensões de historiador bastar-me-ia recordar o Terreiro do Paço no século XVI para comprovar a capacidade lusa de acolher, e integrar, absorvendo em troca.
Aliás o Dr. Costa, exímio mareante nas complicadas correntes e marés da Eurolândia, compreendeu, e muito correctamente, que acolher, simbolicamente, 4 ou cinco naufragantes esbracejados pelas ONG durante o Verão, é inofensivo e faz toilette política.
Peço-te - por caridade também - que não me respondas com fórmulas redondas e assépticas. Para isso já temos o Macron e a Merkel que pregam como frei Tomaz, e nem sequer fazem o que ele faz.
Achas mesmo que se o fluxo sazonal de naufragantes desembarcasse directamente em Hamburgo Dover ou Calais, ambos se limitariam a empurrar com a barriga, ganindo elevados princípios de geometria variável ?
O Ocidente mole tem aprendido com Sumos Pontífices de vários budismos que a capacidade de sobrevivência reside muito na arte estratosférica de gerir consensos morais e actuar apenas, tarde e a más horas, quando encurralado sem quaisquer hipóteses de fugir
Sim, tens razão o equilibrismo é uma arte vacilante.
Tomei boa nota da grosseria que colaste aos teóricos de Direita. Suponho que te referias aos populistas, esses filhos ilegítimos da Esquerda.
Pois eu, neste momento, á Esquerda apenas vejo uma Disneylândia que gera furacões travesttizados de Brancos de Neve e os seus anões.
Por caridade mais balões redondos não. Pessoalmente prefiro alguma grosseria reactiva a muita elegância de faz de conta.
São , talvez, apenas percepções diferentes.
Ou talvez não.
Nunca te escondi que se tivesse nascido no Barreiro, e os meus pais tivessem a sorte retroactiva de trabalharem numa qualquer Lisnave, teria passado, muito provavelmente, pela coerência duma militância comunista .
Deselegante certamente, mas colado ao fio de prumo.
Abraço rijo
Manuel Lamas de Mendonça