Monday, December 17, 2018

Recuperar o orgulho, mudar a sorte

“O caso dos Távoras, como se disse, era relativamente excepcional. Deve-se ter em conta que, pelo menos no início do séc. XVIII, se atribuía a essa linhagem e aos que dela descendiam uma identidade peculiar (consubstanciada numa singular altivez e espírito guerreiro), que não tinha paralelo com nenhuma outra família. Não era comum uma tão forte consciência da identidade e da pertença a uma linhagem. (…)”


In O crepúsculo dos grandes (1750 – 1832) pp 86 de Nuno Gonçalo Freitas Monteiro

5 comments:

  1. Creio que onde está escrito "presença a uma linhagem", queriam escrever pertença. Saudações para todos.

    ReplyDelete
  2. Senhor Conde de Matosinhos tenha Vossa Existência um bom dia
    Por vezes ocorre-me o seguinte:
    Em cada ninhada há um os dois que morrem á nascença, ou pouco depois. Uns mais lestos e ávidos na procura da teta, um azarado, que a mãe calcou e o lavrador remeteu para a Meta dos Leitões, e mais um ou dois normais dentro do correntio e um que, por robustez e sorte continuará a linha de sangue como varrasco.
    Coloquemo-nos no ambiente do (anda não pressentido por eles) Crepúsculo dos Grandes, não estais mesmo a ver o Ex-Governador vitorioso da Índia, ou a Marquesa, eventualmente de nariz empinado, pelo muito que lhe tardava o tamborete de Duquesa, ou um dos outros membros mais amorfos da ninhada, reparar num fámulo estrangeirado (coisa que os "puritanos da nobreza de Corte consideravam pertencer a uma galáxia subalterna) e dizer com autoridade e estalando os dedos com autoridade:
    - Ó Sebastião José vá-me buscar um copo de água..., e fresquinha heim
    A cena pode ter-se repetido de várias maneiras, em ocasiões acintosamente diversas...
    A capilaridade social, essa Bimbi genética, é um mecanismo complexo, e anos depois do Azar dos Távoras,aí por alturas da "Viradeira" todas as famílias da remanescente nobreza vielle Roche eram netas dos sobreviventes da gens Távora e do ex-Sebastião José.
    Coisas.
    Talvez parcialmente programadas por alguém que seguramente não era cego.
    Os Grandes tiveram o seu crepúsculo e Ocaso.
    E não foi por acaso.
    Mas alguns dos intelectual e espiritualmente representantes dos Desaparecidos Grandes frequentam hoje com naturalidade os intelectual e espiritualmente representantes dos sempriternos pequenos
    E não é que começa a florir e a despontar entre os restos de uma Grandeza, hoje de todo anacrónica, o viço de uma nova geração, pensante e sentinte, que redescobriu que o único propósito histórico dessa coisa chamada Nobreza é o Servir para merecer. E merecer para voltar a servir.
    Assim os vejo e saúdo, com respeito, eu que venho dum Povo que tem lavado em todos os rios

    ReplyDelete

O espelho de Alcácer

O ruído da espuma dos dias nos noticiários cansa-nos, avassala-nos e, não raras vezes, anestesia-nos a alma. Por isso, a nossa primeira reaç...