“O caso dos Távoras, como se disse, era relativamente excepcional. Deve-se ter em conta que, pelo menos no início do séc. XVIII, se atribuía a essa linhagem e aos que dela descendiam uma identidade peculiar (consubstanciada numa singular altivez e espírito guerreiro), que não tinha paralelo com nenhuma outra família. Não era comum uma tão forte consciência da identidade e da pertença a uma linhagem. (…)”
In O crepúsculo dos grandes (1750 – 1832) pp 86 de Nuno Gonçalo Freitas Monteiro
Creio que onde está escrito "presença a uma linhagem", queriam escrever pertença. Saudações para todos.
ReplyDeleteCorrigido. Obrigado pelo alerta!
DeleteSenhor Conde de Matosinhos tenha Vossa Existência um bom dia
ReplyDeletePor vezes ocorre-me o seguinte:
Em cada ninhada há um os dois que morrem á nascença, ou pouco depois. Uns mais lestos e ávidos na procura da teta, um azarado, que a mãe calcou e o lavrador remeteu para a Meta dos Leitões, e mais um ou dois normais dentro do correntio e um que, por robustez e sorte continuará a linha de sangue como varrasco.
Coloquemo-nos no ambiente do (anda não pressentido por eles) Crepúsculo dos Grandes, não estais mesmo a ver o Ex-Governador vitorioso da Índia, ou a Marquesa, eventualmente de nariz empinado, pelo muito que lhe tardava o tamborete de Duquesa, ou um dos outros membros mais amorfos da ninhada, reparar num fámulo estrangeirado (coisa que os "puritanos da nobreza de Corte consideravam pertencer a uma galáxia subalterna) e dizer com autoridade e estalando os dedos com autoridade:
- Ó Sebastião José vá-me buscar um copo de água..., e fresquinha heim
A cena pode ter-se repetido de várias maneiras, em ocasiões acintosamente diversas...
A capilaridade social, essa Bimbi genética, é um mecanismo complexo, e anos depois do Azar dos Távoras,aí por alturas da "Viradeira" todas as famílias da remanescente nobreza vielle Roche eram netas dos sobreviventes da gens Távora e do ex-Sebastião José.
Coisas.
Talvez parcialmente programadas por alguém que seguramente não era cego.
Os Grandes tiveram o seu crepúsculo e Ocaso.
E não foi por acaso.
Mas alguns dos intelectual e espiritualmente representantes dos Desaparecidos Grandes frequentam hoje com naturalidade os intelectual e espiritualmente representantes dos sempriternos pequenos
E não é que começa a florir e a despontar entre os restos de uma Grandeza, hoje de todo anacrónica, o viço de uma nova geração, pensante e sentinte, que redescobriu que o único propósito histórico dessa coisa chamada Nobreza é o Servir para merecer. E merecer para voltar a servir.
Assim os vejo e saúdo, com respeito, eu que venho dum Povo que tem lavado em todos os rios
Sempre generoso o Manuel.
DeleteUm abraço agradecido,
E uma pena de ouro, acrescento.
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