Thursday, November 29, 2018

A guerra nas nossas ruas II

campo-das-cebolas-mm.jpg


Eles gostam é de "engenharias" e andam por cá há muito tempo a destinar as nossas vidas e amestrar as nossas afeições. Uma das actividades preferidas deles é a de mudar os nomes às ruas, normalmente com um intuito de educar o povo para o “progresso civilizacional”. É assim que agora, com os votos do PS, PCP e Bloco de Esquerda, o Campo das Cebolas vai ostentar uma placa toponímica com o nome de José Saramago, como pretendia o executivo de Fernando Medina – o povo, esse continuará a chamar-lhe o nome antigo. E porquê não homenagear o escritor numa dessas “novas centralidades” em evolução na cidade?
Como lisboeta, é para mim uma tristeza imensa a forma despótica como meia dúzia de iluminados vêm apagando os ecos da memória colectiva da minha cidade ao sabor dos eventos políticos ou conveniências das suas clientelas. Lisboa ainda ostenta ruas com nomes antigos que falam do lugar mas já não falta muito para eles destruírem definitivamente a alma cidade e torná-la num insuportável panfleto sobre as virtudes da “modernidade” e dos seus arquitectos. Estamos entregues a uma cambada de brutos e eu não me conformo com isso.

1 comment:

  1. Esta questão, que é sempre pertinente, aparece ciclicamente em Portugal.
    Demos de barato que uma fatia grossa da toponímia adoptada para lugares que não existiam antes diga respeito a figuras perfeitamente desconhecidas, mas catadas, com a linguinha de fora entre os obituários das diversas épocas das diferentes maçonarias latu sensu. Os principais prejudicados serão os taxistas e os Uberrimos.
    O João lembrasse-se dos Rossio, que eram espaços com uma determinada localização, geralmente tangencial ás primitivas cintas murarias das cidades, ou no limite dos cascos urbanos das vilas e aldeias?
    O Rossio tinha uma função comunitária e chamava-se assim mesmo: Rossio.
    Mas, reparando bem, essa primitiva toponímia foi deslizando ao longo das centúrias: passaram a denominar-se, por via de regra e sucessivamente: Largo da Restauração, Praça Rainha Dona Amélia, Praça Miguel Bombarda, Largo 28 de Maio, Largo dos Heróis do Ultramar, Praça 25 de Abril etc. etc.
    Isto não quererá dizer nada, mas mesmo nadinha, sobre um permanente divórcio entre a mentalidade dos proceres que nos têm vindo a pastorear e o sentir das gentes que foram levantadas do chão,permaneceram, e viveram, e morreram em locais cuja denominação original sobrevive, frequentemente, a topografias camaleónicas
    Manuel Mendonça

    ReplyDelete

O espelho de Alcácer

O ruído da espuma dos dias nos noticiários cansa-nos, avassala-nos e, não raras vezes, anestesia-nos a alma. Por isso, a nossa primeira reaç...