Saturday, February 10, 2018

O sacramento do matrimónio

Há cerca de vinte anos, quando a minha mulher (com dois filhos pequenos) e eu decidimos constituir uma família, não nos passou pela cabeça exigir que a Igreja se adaptasse às nossas conveniências ou ao nosso “sentimento de (in)justiça”. Uma semana antes de consumarmos civilmente essa nossa decisão "fracturante", celebrámos com os amigos chegados uma inesquecível Missa de Acção de Graças na Capela das Amoreiras – foi a última vez durante muitos anos que tomamos o sacramento da comunhão. Durante esse tempo, nunca deixámos de ir à missa, participar na vida da paróquia e dar uma educação católica aos nossos filhos; e foi com humildade e sem ressentimentos que nos juntámos a um grupo de "casais recasados católicos" as “Equipas de Santa isabel" do Cónego Carlos Paes da Paróquia de S. João de Deus, para a catequese e crescimento espiritual em casal. Antes como agora, a Bolota e eu desejamos ardentemente que a Igreja permaneça guardiã do valor supremo da perenidade da família natural como aliança fecunda, sagrada e indissolúvel, construída sobre a rocha. Um núcleo vital para a realização de uma comunidade verdadeiramente livre e pujante.

1 comment:

  1. Meu Caro João
    Encontrando-me em situação similar, e com um filho, fervoroso católico, nascido de um casamente civil, estável e feliz há duas décadas, louvo-me parcialmente nas suas palavras.
    Se mo autorizasse adiantaria que tenho estudado com profundo interesse profissional os sucedidos Concílios, Cânones, Apócrifos Cismas e Dietas. Bem como os respectivos enquadramentos e conjunturas geoestrategicicas, políticas, ideológicas, sociais e espirituais em que ocorreram.
    Coisa natural e normal num homem da minha geração, proveitosa mente formado pela S.J, estudioso da História,, e preocupado com um coerente posicionamento espiritual.
    Como saberá não estudei teologia, nem tenho qualquer palavra autorizada pela imensa (mas humana) estrutura administrativa que é - também - a Igreja Católica Apostólica Romana.. Limito-me as constatar as suas humanas divisões, hesitações e perplexidades.
    Naturais e incontornáveis.
    Mas já não me acontece ficar desorientado quando a Instituição tergiversa, compreensivelmente, na sua respiração secular.
    Mantenho-me expectante, é certo, mas firmemente ancorado a um único principio:
    Ama a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo.
    Darei contas finais apenas ao Senhor, e não creio que Ele careça de intermediários administratios para me julgar,
    Com convicção e humildade
    Manuel Lamas de Mendonça

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