Saturday, November 18, 2017

Uma questão de decência

Casa Real.jpg


Não entendo a Chefia de Estado Real como constituindo um privilégio, antes pelo contrário. Onde existem dinastias historicamente legitimadas, e não sendo o cargo executivo, não vejo qualquer imoralidade no facto dos reis não serem sufragados pelo voto - vê-se bem por essa Europa afora a sua importância e o sucesso do modelo que persiste e se adapta nos países mais desenvolvidos. Mas é evidente que para a consumação em Portugal deste desígnio, a instauração da monarquia, a democracia tem que imperar organicamente na sociedade, através de uma participação activa das múltiplas comunidades na rés-publica. Esse é o problema: não acho que no meu País a democracia, a sociedade portuguesa e as suas instituições, no actual quadro constitucional, sejam suficientemente representativas e participadas (evoluídas) para acomodar uma Chefia de Estado hereditária. Seria um presente envenenado, um convite à insurreição. Mas isso não me demove um milímetro de me dedicar de corpo e alma à Causa Real para apoio à Casa Real Portuguesa para que ela perdure depois de mim, antes pelo contrário. Por uma questão de decência e... amor à Pátria que é legado dos meus avós.


 


Fotografia: Nuno Albuquerque Gaspar 

2 comments:

  1. Bom dia João e muito obrigado
    Palavras que contornam intuições, mas também realidades evidentes.
    Só numa avaliação desconhecedora da análise dos elevadíssimos custos pessoais, se poderá considerar a aceitação de uma Coroa Real como um privilégio.
    As imagens ilusoriamente rutilantes das pessoas reais escondem a renuncia a qualquer veleidade de livre e espontânea liberdade de movimentos e vida privada, pessoal. Alguns de nós conseguem aperceber-se dessa massa acabrunhante de cedências, solidões, renuncias e abdicações por parte de mulheres e homens que poderiam ter vidas mais ou menos cómodas e mais ou menos normais pelos nossos padrões deste século.
    Qualquer membro da oligarquia média, muitíssimo abaixo. da imoral e impurifica casta dos verdadeiros magnatas, tem ao seu alcance uma massa crítica de poder efectivo e de todos os privilégios imagináveis, incomparavelmente superior ao daqueles que têm de abdicar da sua liberdade e vida pessoal para cingir essa coisa escravizante que é uma Coroa .
    Embora monárquico medular, horrorizar-me-ia ser pessoalmente contemplado com o irónico privilégio de ser obrigado a assumir uma Coroa moderna
    Manuel Lamas de Mendonça

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    1. Sou um pragmático.
      Prefiro uma monarquia moderna a nada.
      Abraço!

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