Pensar que é só no futebol que se estabelecem relações promiscuas e tráficos de influências para obtenção de vantagens evitando as regras e os canais institucionalizados seria uma ingenuidade. Para já, a reversão de 50% do capital da TAP para o Estado permite a distribuição de mais uns cargos pelos amigos do regime, e a família de Carlos César é apenas a ponta do iceberg de uma cultura de paternalismo e dependência de que não nos conseguimos libertar. O chico-espertismo perpassa de geração em geração. Por isso adjectiva-se a ética de “republicana”: é uma ética esvaziada, dependente e servil, condicionada pela casta que dela se apropriou e se perpetua na orla do poder, com a mão na malga para sorver do grande tacho, qual caricatura do antigo Rafael Bordalo Pinheiro. Neste Portugal eternamente socialista pouco valor terá o mérito, o engenho e a iniciativa que estão condenados a ser vistos pelos olhos mesquinhos da inveja e do cobrador de impostos. Afinal a glória tem sempre um atalho, é alcançável com um mero telefonema ou um email dirigido à pessoa certa. Com as relações certas. Por isso estamos condenados à pobreza e à pedinchice. Triste destino, trágico fado o nosso.
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