Marcelo é inteligente ao cavalgar o inédito período de paz social e de domesticação das esquerdas radicais (e dos sindicatos, por consequência) que lhe caiu do céu. Mas desconfio que o seu frenesim comece a virar-se contra si próprio a breve trecho. E aqui entre nós, o diabo está mesmo à espreita.
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O espelho de Alcácer
O ruído da espuma dos dias nos noticiários cansa-nos, avassala-nos e, não raras vezes, anestesia-nos a alma. Por isso, a nossa primeira reaç...
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Na Semana Santa que por estes dias vivemos, fomos convidados a percorrer simbolicamente o caminho de Jesus Cristo até ao Calvário, impulsio...
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Não tenho grande pachorra para "socialites" ou intriguinhas “cor de rosa”. Nunca dei muita atenção às fofocas sobre o casamento d...
Meu Caro João
ReplyDeletePertencendo a uma geração (que é precisamente a mesma do meu ex-colega, Marcello, e depois Marcelo) intermédia entre a sua, e a do erudito epicurista Luís Gonzaga,,meu impulsivo Mestre, falo-lhe com o coração nas mãos.
O Marcelo era, no nosso curso, o único aluno capaz de fazer sombra ao. adiantado mental,Braga de Macedo, e de surripiar alguma atenção á Mulher por excelência, que convivia connosco:, a Nônô Beleza.
Uma trípode de adolescentes precocemenente complexos, oriundos de culturas bastante diversas,, e com percursos diferenciados, mas todos sobres-salientes.
Interessa.nos aqui o jovem Marcello cuja Mãe tentava, com virtuosa naturalidade, inserir-lo num meio social susceptível de acrescentar a um filhote do regime.um pouco de patine ancien regime,, como testemunhei pessoalmente.
Sinceramente não creio que essa pertença exclusiva á brigada do blazer azul/gravata de riscas/sapato de pala/ constituísse um desiderato importante para o jovem Marcello, nem que ele coubesse nesse estereotipo melancólico e padronizado. Os Marcelo que convergiam episodicamente no Marcello eram constituídos por uma amálgama de curiosidade, necessidade de presença, protagonismo, intervenção e uma forma de lucidez em que cada heterónimo Marceleense tinha consciência das debilidades e ridículos dos meios que atravessava-
A lucidez é uma coisa terrível, sobretudo quando nos vemos ir sendo sidos.
O João lembra-se do filme Amadeus e da gargalhada ?
Por detrás de cada coisa genuína e intencional em que o Marcelo é levado a saltitar, ouço a irreprimível gargalhada de Amadeus.
E, de todas as personagens que o compõem inevitavelmente, tenho sempre a sensação do observador extrínseco, incapaz de resistir ao senso crítico dum homem inteligente rodeado de Condes de Abranhos.
Vida espiritual, ambição mundana, convicção de um destino e de uma missão num mundo real exíguo exigem um jogo de cintura difícil para um transgressor nato.
Espero com admiração sincera que o princípio de Peter não coincida com a lei de Murphy
Sinceramente
Manuel Lamas de Mendonça
Caro Manuel: obrigado pela sua visita e pelo seu suculento comentário. Para um monárquico como eu, o caso do "presidente" Marcelo reveste-se de particular interesse, pois apesar da unanimidade quase real à sua volta, o seu exemplo é exactamente o contrário do que se esperaria de uma chefia de Estado monárquica, que não depende (antes pelo contrário) da genialidade do Principie. (Teria dado D, Pedro V um bom chefe de Estado?)
DeletePara lá destas considerações, preocupa-me de sobremaneira a persistência dos mesmos vícios que nos levaram à banca rota os que os mesmos actores - de novo - prefiram assobiar para o lado.
Cordiais cumprimentos,
Meu Caro João
ReplyDeletePerdoe a réplica com fraternal bonomia
Muito interessante o caso que levanta de D. Pedro V
Não pretendo lembrar-lhe que na correspondência publicada desse homem notável, e casual e efémero monarca,, que foi D. Pedro com os seus parentes e mentores ingleses, é visível um pessimismo histórico adveniente da constatação do fosso moral entre um império vitoriano, talvez hipócrita, mas que permanecia agarrado a um sistema formal britânico, e portuguesíssimo o pântano arcaico dum rotativismo pelintra protagonizado por adventícios medíocres e rapaces
Esse sistema,britânico, nascido com a Magna Carta, reescrito por Cromwell e modernizado por uma reforma agrária efectiva permitiu o surgir simultâneo de uma aristoburguesia empreendedora e de uma transferência de mão de obra urbanizada que esteve na base do proletariado da primeira evolução industrial com a sua tomada de consciência de classe e o movimento sindical que foi reorientado por Tatcher e se se prolongou hesitantemente até ao Brexit.
Creio que não vale a pena perder tempo a citar D. José Trazimundo, Mattoso e a Identificação de um País, nem chamar á colação Filomena Mónica ou os Devoristas de Pulido Valente para constatar a resiliência do rotativismo da III Republica depois da vergonha da primeira,
D. Pedro V lembra-me o mexilhão empurrado para o pessimismo histórico. Dificilmente seria o monarca sagaz, o diplomata discretamente eficaz e o hombre de cojones que assassinaram no Terreiro do Paço.
Perdoe João, as conversas são como as cerejas, ambos somos monárquicos mas isso ia obrigar-me a perguntar-lhe se esta Paísa que amamos é geoestrategica, económica e financeiramente viáve - l neste formato - depois do tratado luso britânico que precedeu a autorização para D. João VI desembarcar no Rio, e a descolonização a trouxe mouxe adiada pela brigada do reumático, e desalfandegadas por chefes de repartição da guerra fria ?
Isso inquieta-me mais do que este prolongamento do post 1820 assente no acomodatício humano desta pequena Sicília sem elites residentes.
Amigavelmente o seu
Manuel
"Pequena Sicília" é bom meu caro Manuel. Resta-nos remar na direcção do que nos parece certo para nos encararmos sem vergonha ao espelho.
DeleteCom amizade,
Já lá vão uns anos, olhava eu na TV um canal português quando perguntavam a um casal de estrangeiros residentes em Portugal, se gostavam de cá estar. Sim, responderam, parece-se muito com a nossa terra. Fiquei intrigada. E o meu espanto dissipou-se completamente quando esclareceram que eram da Sicília. Claro!
DeleteJá lá vão uns anos, olhava eu na TV um canal português quando perguntavam a um casal de estrangeiros residentes em Portugal, se gostavam de cá estar. Sim, responderam, parece-se muito com a nossa terra. Fiquei intrigada. E o meu espanto dissipou-se completamente quando esclareceram que eram da Sicília. Claro!
Delete
ReplyDeleteDa qualidade das pessoas na Sicília e da força motivadora das suas Causas
Todos estamos lembrados do rio de mortos, opressões,intimações, e dos assassinatos espectacularmente encenados, e repetidos com som e fúria,, de muitos dos que combateram a iniquidade da situação siciliana.
Alguns de nós mantêm presente a tíbia capacidade de encaixe , e as cumplicidades da Democracia Cristã italiana comprometida por infiltrações aos mais altos níveis e por patos mutuamente vantajosos.
Talvez seja cínico da minha parte considerar que,, embora de modos diferentes, uns venderam cara a pele, outros morreram por coisas em que acreditava, e outros, finalmente, não traíram os acordos.
Correu durante uns meses um abaixo assinado em que se pedia que o Protocolo Estado Português reservasse aos Representantes da Casa Real que governou um País, centralizado sob a sua égide, durante perto de um milénio.um lugar representativo civilizado
Casa Real essa, incontestada, interna e externamente,com excepção de uma franja lírica de oportunistas e vaidadezinhas feridas.
Da última vez que tive notícia desse papelucho.cordato e moderado a petição ia nas cinco mil assinaturas....
O entusiasmo e a militância falam por si
E por uma causa com tanta força como uma gasosa aberta na véspera
Mas definem também os contornos. que caracterizariam um referendum uma consulta popular sob o Regime Monárquico em Portugal.
Deus Guarde El-Rei Dom Sebastião Zé Cid, velho Amigo