Tuesday, November 3, 2015

Wishful thinking

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Ainda há uma possibilidade do governo da coligação passar com a abstenção do PS. Porque uma aliança PS, BE e PCP é, como comprovam as dificuldades no acordo, contranatura. Acontece que espaço eleitoral dos partidos de protesto é por natureza limitado mas “garantido”. Ora o BE e o PCP sabem que se o abandonarem para sustentação de um governo António Costa inevitavelmente “austeritário”, outros lhe tomarão o lugar. Pior: até ao último minuto haverá a tentação dos dois entre eles tirarem partido um do outro para se apoderem desse “espaço garantido”. Ou seja, um ou outro saltará fora na primeira oportunidade da última hora. António Costa foi claro ao garantir uma postura “responsável”, só aprovando uma moção de censura se tiver alternativa. Assim se compreende o discurso radical socialista: para não perderem a esquerda, recusam o ónus do falhanço da aliança, e vão assumir o protagonismo deste jogo de sombras para, chegando à 25ª hora, lavarem as mãos perante o alívio da depauperada classe média. Assim, Costa ainda se safa no congresso exibindo o troféu desta sua congeminação, reclamando que o falhanço foi culpa dos radicais.  


Publicado originalmente no Diário Económico

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