Acontece que a guerra é sempre a pior opção, excepto quando se revela a única forma de assegurar a paz. Imagine-se o que seria se os pacifistas britânicos, já muito activos nos anos 30 do século XX, levavam a deles a melhor e a Inglaterra abestia-se de intervir contra a Alemanha de Hitler?
Mas se há dúvidas quanto a saber se a intensificação dos bombardeamentos na Síria serva para mais que uma catarse para aliviar o orgulho ferido dos franceses, estou convicto que um combate muito mais longo e difícil tem de ser empreendido dentro de portas onde se instalou o inimigo, qual ovo da serpente. Segundo uma pesquiza da ICM Research em 2014 para a agência russa Rossiya Segodnya, 16% dos franceses tinha uma opinião algo favorável (13%) ou muito favorável (3%) do ISIS. Mesmo não dando grande credibilidade a este estudo, a realidade demonstra que as políticas do “multiculturalismo”, que a França, com republicano denodo, vem praticando nas últimas décadas, revelam-se hoje um enorme fracasso de trágicas consequências. Talvez porque o que define uma Nação não resulte de qualquer “engenharia social”, mas duma pertença a um território comum, como uma língua, uma história e aos seus valores fundacionais – enfim, uma identidade.
Publicado originalmente no Diário Económico
No comments:
Post a Comment