Estranhos tempos estes que julgámos interessantes, que ao invés de darem lugar à política revelaram os seus limites: com a soberania hipotecada aos credores e amarrados a uma moeda de país rico, as “alternativas” escondem-se em pequenos detalhes. Assim, para que a corda não quebrasse, o tão proclamado governo “liberal” rendeu-se às evidências e ao tribunal constitucional resolvendo o grosso da questão com um brutal aumento de impostos: o caminho era afinal bem mais estreito, e foi por uma unha negra que a coligação levou a bom porto o tal resgate. Com o exemplo da Grécia, os mercados atrás da porta e uma dívida de quase 130% do PIB, nada disto é irrevogável bem se vê.
Por tudo isto, não passaria de um mero faits divers o caso dos cartazes do PS se as pessoas de bom senso acreditassem que a 4 de Outubro estarão em jogo duas ou mais alternativas de enfrentar o monstro, em vez da gestão dum ajustamento sem precedentes com competência e firmeza. Com os resultados eleitorais em aberto, a incompetência com que os socialistas vêm gerindo a sua campanha deixa-nos a todos muito apreensivos.
Publicado originalmente no Diário Económico
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