O prenúncio de eleições a repetirem-se Grécia em Setembro não deixará de provocar efeitos colaterais na campanha entretanto ao rubro em Portugal. Com o fantasma de José Sócrates à espreita no armário, curioso vai ser verificarmos como os herdeiros do Syriza cá do burgo que residem recatadamente no PS e ostensivos no Bloco de Esquerda se posicionarão perante os dissidentes da “unidade popular” e os “radicais” de Tsipras. Confusos? Fica comigo a secreta dúvida de como será possível um governo implementar um exigente programa com o qual não concorda.
Suspeito que António Costa percebeu tarde de mais que o eleitorado do centro está mais preocupado com a estabilidade e a segurança que com ressentimentos e fracturas ideológicas. Agora cola-se a Manuela Ferreira Leite, expoente máximo do conservadorismo social-democrata, para a recriação dum Bloco Central imaginário.
As cartas estão na mesa e os portugueses já entenderam ao que vão no dia 4 de Outubro. Com uma economia frágil e uma dívida astronómica, as grandes políticas decidem-se em Bruxelas e a recuperação de algo parecido com aquilo que entendemos por “soberania nacional” é um empreendimento para uma geração.
Publicado originalmente no Diário Económico
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