Começo com uma inconfidência: sou originário duma família em que se cruzam as mais antigas casas aristocráticas portuguesas, com o seu auge na primeira metade século XVIII, que em Lisboa distribuía audácia, cultura e erudição. Quando era pequeno não passava à frente daquele magnífico palácio em Santos onde o meu avô ainda nasceu, sem que o meu pai me recomendasse a responsabilidade e o legado das minhas origens. Acontece que a decadência económica da minha família, mais por aselhices práticas do que políticas, muito acentuada no século XIX, atingiu o zénite na sua geração. Por isso deploro o caricato da discrepância duma história grandiosa com uma mesa sem pão em que muito se ralha com pouca razão.
Magoa aprender, mas a soberania como a auto-estima obrigam ao engenho e muito trabalho, a ter dinheiro para pagar as contas. Temo que o resultado do referendo na Grécia signifique um irreparável prejuízo para as negociações dos credores com os gregos. Inevitável será a assunção duma atitude espartana para a recuperação do antigo espírito ateniense.
Publicado originalmente no Diário Económico
No comments:
Post a Comment