A discussão sobre o rasteiro e ofensivo mau gosto que é timbre da revista Charlie Hebdou desde a sua fundação tem que ser separada duma radical rejeição ao hediondo atentado às vidas humanas perpetrado por uns fanáticos. Jamais poderemos admitir qualquer cedência para com os que gostariam de demolir as bases duma civilização que há vinte séculos se edifica alicerçada nos valores do livre arbítrio e na sacralidade da pessoa criada à imagem de Deus - com avanços e recuos êxitos e equívocos como acontece em toda a obra humana. Não é preciso sermos todos o Charlie para entender isto.
De resto, desconsola-me a forma como boa parte da opinião publicada faz um desonesto aproveitamento político do ataque terrorista em Paris, responsabilizando por exemplo a “servidão da Europa à austeridade” (Viriato Soromenho Marques hoje no DN) e o “gene da intolerância presente em todas as religiões” (Pedro Marques Lopes também no DN de hoje). Não, as religiões não são todas iguais, e só com má-fé se pode renegar o papel do cristianismo com o seu apelo fundador ao império da misericórdia e ao amor ao próximo na construção da nossa civilização. Esta agenda fundamentada numa “teoria da amálgama” só contribui para que não se enfrente o problema com a objectividade necessária. Perdoai-os Senhor, que não sabem o que dizem…
Fotografia da manifestação que reuniu os principais lideres europeus em Paris, daqui.
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