Tuesday, March 11, 2014

Até parece que estão a gozar

É irónico como no dia a seguir a Cavaco Silva ter proclamado que um consenso entre as forças politicas teria repercussões na redução dos juros da dívida, surja um manifesto assinado por 70 “notáveis”, que junta gente como o trotskista Francisco Louçã a Manuela Ferreira Leite, ou Freitas do Amaral a Carvalho da Silva, num coro unânime a apelar à restruturação da dívida “mesmo a contragosto da Alemanha”, o mesmo é dizer “a contragosto dos nossos credores”. Parece gozação.
Curioso é que este apelo, feito a dois meses do final do severo programa de resgate que os portugueses vêm cumprindo com língua de palmo, provenha desta improvável salganhada de personalidades, como são o ex-ministro das Obras Públicas "pai das SCUT" (que se pagavam a si mesmas) João Cravinho, um ministro da economia de António Guterres, Luís Braga da Cruz; um ministro das finanças do governo de Santana Lopes, Bagão Félix; ou Ferro Rodrigues também ele ex ministro das Obras Públicas de Guterres, gente que tem em comum uma quota de responsabilidade pelos sucessivos falhanços nas propaladas "políticas de crescimento" que nos trouxeram a este vexatório destino.
Creio ser inevitável que os nossos credores (os alemães e os outros) um dia se disponham a negociar com o governo português uma reestruturação da dívida. Mas não será certamente agora e muito menos “a contragosto”. Porque a primeira condição será a de que se finalize o programa de ajustamento; e a segunda, que as forças políticas responsáveis pela sempre adiada reforma do Estado e pela não menos dolorosa mudança do modelo de desenvolvimento, mostrem que têm juízo. Pelo presente panorama, não se augura nada de bom.  

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