Saturday, August 17, 2013

Ao contrário, é a mesma coisa mas do avesso

 


(…) no ano da graça de dois mil e treze, o verdadeiro acto iconoclasta é a recusa da iconoclastia. O iconoclasta não é aquele que desafia Deus, é o crente. O rebelde não é aquele que diz asneiras, é o individuo que recusa a falar através da asneira. A indomável não é a aquela que corrompe a virgindade epidérmica, é a rapariga que percebe que a tatuagem entrou no domínio da burocracia. Hoje na praia consegui ver três mulheres sem tatuagem. Três iconoclastas.


 


Henrique Raposo hoje no Expresso


 


Resta saber afinal se uma tatuagem traduz na realidade emancipação de alguma coisa, Henrique. Digo eu, que talvez por coincidência desde o ano que nasci (para que conste sou moderníssimo, nasci no ano da estreia de "Breakfast at Tiffany's" com a Audrey Hepburn) que assisto curioso a esse processo dialéctico da realização humana. E depois, o dealbar da beleza feminina em Portugal testemunhei eu a partir da adolescência (justamente em Lisboa e de forma mais concreta (cientifica até) no liceu Pedro Nunes). Estranhamente esse processo histórico parece ter estagnado na geração das moçoilas da década de 1980, justamente aquela em que a tua curiosidade sobre a matéria despontava. Coincidentemente ou não, de há uns tempos para cá constata-se que as mulheres de meia idade vêm sendo cada vez mais bonitas, (tenho disso boa prova) e não sei onde é que tudo isto (não) vai parar. De resto, Henrique, prometo que vou meditar seriamente sobre o assunto amanhã na praia.

No comments:

Post a Comment

O espelho de Alcácer

O ruído da espuma dos dias nos noticiários cansa-nos, avassala-nos e, não raras vezes, anestesia-nos a alma. Por isso, a nossa primeira reaç...