Apesar de estar convicto que a saída do beco em que nos encontramos exige muita audácia e rasgo ao executivo legitimado pelo voto há pouco mais de um ano, apesar de tendencialmente antipatizar com unanimismos, não consigo deixar de retirar as minhas ilações perante a eloquente e unívoca reacção gerada à volta da arquitectada desvalorização fiscal tão desastradamente anunciada pelo primeiro-ministro há dias. Há que encontrar uma boa alternativa.
Mas que não hajam ilusões: penhorada a soberania nacional pelo humilhante resgate financeiro assinado por Sócrates, é para mim claro que o cheque trimestral só nos será endossado se percorremos um estreito e amargo caminho de “ajustamento”. E quanto mais depressa, maelhor.
Trágico é como o mais penoso desafio alguma vez colocado a um governo da terceira república, tenha que ser cumprido sob a liderança do mais inábil primeiro-ministro de que há memória (eu não disse aldrabão). Mas mais trágico será caso esse handicap não seja colmatado com um reforçado empenho do restante (e remodelado) executivo, relançado na hercúlea missão de reformar e libertar o Estado ainda sequestrado pelas máfias e clientelas que o arruinaram.
É neste panorama que se exige um renovado sentido patriótico ao mais experiente político do governo, o ministro de Estado Paulo Portas: que assome mais vezes das Necessidades, em má hora tornado um exilio dourado; por forma a reforçar a coesão e motivação de uma equipa governativa que não possui outra opção do que ficar na História. Por cumprir. Cumprir as promessas mesmo no limite das suas forças e resistência, assumindo o sacrifício das suas vidas, carreiras e… agendas pessoais. Quanto antes, antes que se dissemine por todos o paralisante Síndrome de Estocolmo.
Finalmente, as imagens de centenas de milhares de portugueses a protestar nas ruas, significa um salutar sinal de salubridade dum povo sacrificado e compreensivelmente desiludido com o destino da sua História. Cuja responsabilidade ninguém, mesmo ninguém se pode eximir.
No comments:
Post a Comment