A pequena colectânea de crónicas do Henrique Raposo, “Portugal do Avesso”, constitui uma requintada selecção de textos que hoje podemos descobrir ou revisitar de trás para a frente e de frente para trás, uma barrigada de inteligência em papel, em curtas, astutas e deliciosas doses. Encadeadas por um subtil fio temático, são servidas fora da linha dos dias, cuja espuma os inspirou.
Os escritos do Henrique Raposo, pela sua acutilância, coloquialidade e humor são quanto a mim um verdadeiro serviço público: como seríamos uma pátria mais feliz se todos os portugueses o lessem em casa logo de tenra idade (como seríamos um país melhor se os portugueses simplesmente lessem).
Confesso que acompanho mais o Henrique em diferido na blogosfera, e que as suas crónicas são nos dias que correm das poucas razões para eu comprar pontualmente o Expresso: é irónico que seja deste jornal, o mais conformado e situacionista, que ecoam as suas palavras de irreverência e inconformismo contra a inimputabilidade e decadência de uma sociedade indolente, veneranda e obrigada a um destino socialista. Curiosamente o Henrique Raposo desponta no mesmo jornal em que se popularizou há trinta anos o Miguel Esteves Cardoso, à época uma pedrada no charco com a sua escrita informal e humorada, sempre consensualmente ambígua, que assim seduziu e entusiasmou quase toda a minha geração. Com qualidades semelhantes, o Henrique é diferente: conciso, não concede um Cm à forma se esta ofuscar minimamente o conteúdo. A mensagem é objectivamente clara e sectária, quase sólida, porque o seu enredo emana de profundas convicções, inconformismo e de um indisfarçável amor à Pátria, essa ideia transcendente e transgeracional em que também eu coabito. E apesar dos “ambientes” sociológicos que nos afastam (?), algo de fundamental nos une: também eu vi muitos filmes de cobóis com o meu pai. E não há nada nas pessoas ou escrita que mais me inspire e atraia do que o reflexo duma alma bem-amada.
Sunday, November 13, 2011
Uma pedrada no charco
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