Friday, November 18, 2011

Os fins e os meios, ou o jornalismo de sarjeta


O comentário do João Ladeiras publicado aqui em baixo, em que denuncia uma espécie de cilada “jornalística” à porta da universidade com vista a obter uma peça de vídeo para replicação viral na internet sobre a "ignorância da juventude", um tema de sucesso garantido, remete-nos para a séria questão do papel do 5º poder na sociedade mediatizada contemporânea. 
É inegável que as políticas de ensino para as estatísticas e a massificação das licenciaturas, muitas delas que não são mais que pequenos cursos técnicos ou simples artimanhas para atrasar a entrada dos jovens no mercado do desemprego, teve como resultado o trasvazar massivo da indigência cultural para o universo universitário. 
Mas tão grave quanto isso é sermos diariamente violentados por um jornalismo impune que subjuga os valores e a própria notícia, não aos factos mas ao preconceito, ao ressentimento social ou ideológico a promover, quando não simplesmente a uma lógica comercial. A salvaguarda da sacrossanta liberdade de expressão remeteu-nos para uma tendência de total impunidade: a auto-regulação é um mito, e o bom senso definitivamente não resulta em parangonas, a racionalidade é má para o negócio.  Num regime cujas instituições hipotecaram o poder pela urgência dum prato de lentilhas, o jornalismo pop que vigora completa e reafirma o mais negro diagnóstico: estamos de facto entregues à bicharada.


 


PS.:  Ao João Ladeiras reafirmo o conselho do meu colega Rui Tabosa: é nos livros que se vai buscar o Saber, e do que V. depreenderá deste caso, jamais aos jornais e muito menos às revistas que quando o abordam, se limitam a comentá-lo, sabe Deus sob que perspectiva e com que bases. Para quem não os puder adquirir nas livrarias estão disponíveis nas bibliotecas. 

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