Ousando pôr a foice em seara alheia, opinião de leitor e assinante da primeira hora, a reestruturação do jornal i merece-me umas curtas palavras. De notar que a minha apreensão já vem de trás, com a progressiva dispensa de colunistas e analistas que se afirmavam “marca” deste ousado projeto editorial sem uma substituição equivalente. Acontece que com a transformação verificada nos últimos dias na sequência da assunção da direção de António Ribeiro Ferreira - com os seus entediantes editoriais, não só pela ambiguidade politicamente correta, mas pelo estilo “chico esperto, uma no cravo outra na ferradura” - revelou-se uma reorganização dos conteúdos que aproxima perigosamente o jornal i dum estilo clássico, igual aos seus concorrentes, sem que no mínimo tenha para isso, soit disant, “vocação”. Curioso é verificar como o Público adoptou a receita do antigo i para edição de Domingo com o protagonismo da abertura para a análise e opinião.
Considerei e afirmei-o num post em tempos, que a criação de um novo titulo diário num período de crise da imprensa tradicional constituía um ato de tremenda coragem... se não de enorme loucura. Certo é que o jornal i, com o seu estilo prático e sucinto, dando o protagonismo a uma análise e opinião “fora da caixa”, graficamente muito audaz, acabou por me conquistar. Daí até eu fazer uma assinatura foi um passo, e hoje reconheço que, no mínimo, essa opção teve o mérito de incutir nos meus miúdos adolescentes o gosto de lerem um jornal.
A fórmula apresentada dos últimos números deixa-me triste ou preocupado: o jornal i por estes dias confunde-se-me com uma fraca imitação dos seus pesados e regimentais concorrentes.
Saturday, July 9, 2011
Sobre o novo jornal i
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