Tuesday, March 1, 2011

A política não é parva

 


Muito bem vai a jornalista Isabel Stilwell quando desafia a geração “à rasca” ou “que parva que sou”, a deixar-se de vitimismos e dar expressão à sua revolta arregaçando as mangas e imiscuindo-se na política. Isso mesmo, na Po-li-ti-ca: ganhava a democracia, ganhava Portugal, ganhavamos todos. Pode parecer muito pouco, mas é incomensurável o privilégio de se ter uma voz que conta sem abolir a dos outros (e vice-versa). Sendo este um objectivo difícil, cumpre aos organismos políticos existentes, através dos nossos representantes, a delicada gestão desses equilíbrios. A quem lhe desgostar os partidos que temos, há que mudá-los e renová-los por dentro ou criar novos – é uma batalha cansativa, com reuniões, votos e desgostos, assembleias e congressos, mas a alternativa garantidamente é bem pior. De resto, facilmente se adivinha como é um mundo sem política, pondo os olhos no Líbano, no Iémen, no Egipto e na maior parte das repúblicas africanas. Estes tempos mais difíceis que se aproximam, apelam à acção, mas convém não perder o norte, e definitivamente não armar em parvo. 

No comments:

Post a Comment

O espelho de Alcácer

O ruído da espuma dos dias nos noticiários cansa-nos, avassala-nos e, não raras vezes, anestesia-nos a alma. Por isso, a nossa primeira reaç...