Ontem no programa Contraste moderado por Ana Lourenço na SIC notícias, José Miguel Júdice confrontava um repto de Francisco Assis sobre a premência dum consenso entre os dois maiores partidos sobre as grandes questões nacionais, com a suspeição de que tal aliança, mesmo na idealizada fórmula de "Salvação Nacional", já não obteria real correspondência das bases, uma adesão social, "territorial", imprescindível às inevitáveis mudanças que irão ter que ser implementadas. Estamos a falar da baixíssima representatividade real das estruturas político-partidárias que preenchem os diversos órgãos de soberania, do esvaziamento da democracia lusa, cada vez mais uma formalidade. Esta profunda desagregação representa uma incalculável tragédia perante a urgência duma motivação redobrada dum país à beira duma dura e longa travessia do deserto.
Razão tem Fernando Nobre quando reclama contra a insistência dos candidatos presidenciais no tema dos negócios do seu adversário Cavaco Silva com a SLN, que afirma apenas contribui para descredibilizar a política e a campanha. Não vale tudo para captar a atenção dos cidadãos numa eleição que é verdadeiramente irrelevante para a vida real das pessoas, nem isso justifica um debate tão rasteiro e demagógico. Cegas pela disputa mediática, as candidaturas entretêm-se a cuspir no tacho em que querem comer, e nem reparam que já está vazio.
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