Se é verdade que o analfabetismo, a iliteracia ou a ignorância não se reduzem por decreto, constituindo antes combate para muitas gerações; se é verdade que o desígnio da liberdade individual depende dum tanto quanto possível equilíbrio entre a auto-estima e conhecimento do indivíduo, não deveriam as elites do país de Abril pautar o seu discurso com muito mais modéstia? Verificando os disparates verberados na disputa política e a nossa proverbial incapacidade de mudar alguma coisa que se veja, leva-me a suspeitar que, como Povo, a distância cultural que nos separa duma “idade das trevas” não é substancial, o que nos deveria inquietar.
Acredito piamente que a redenção de Portugal está dramaticamente dependente duma democratização do saber, aprofundada por várias gerações. A nossa evolução civilizacional carece da generalização dum julgamento e arbítrio mais sóbrio e mais fundamentado, liberto tanto quanto possível de feridas recalcadas e preconceitos sociais. Quantas mais pessoas pudessem reconhecer a sua História e ascendência com orgulho, sem preconceitos ou complexos, mais livres seriamos para acreditar num futuro que todos somos chamados a construir com responsabilidade.
Libertar um Povo das amarras da ignorância e ensiná-lo pensar é tarefa para muitas gerações, que em Portugal começou tarde demais. Mas tal significa aliviar o país do predomínio da grosseria e do ressabiamento, o único caminho que vale a pena trilhar.
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