Definitivamente a realidade gera acontecimentos que são um grande incómodo para o jornalismo modernaço: atrevem-se a acontecer sem aviso, sem um press release, é o que nos relata hoje José Queiroz, o provedor do leitor do Público. Foi o que aconteceu na Segunda-feira passada, quando uma procissão iluminou a noite no Porto, reunindo cerca de cinquenta mil crentes que percorreram da Igreja da Lapa até à Sé, num mar de velas acesas em honra da imagem da Nossa Senhora de Fátima. Consta que o evento foi inusitado, que há mais de cinquenta anos nada de parecido se via na cidade, para mais com intervenção de individualidades públicas pouco prováveis. Acontece que o mui portuense jornal Público, com o argumento de que “não terá sido avisado”, ignorou liminarmente este sucesso, sendo certamente por mera coincidência a notícia da primeira página subsequente, o almoço entre José Sócrates e os homossexuais.
Já desconfiávamos, mas confirma-se que por estes dias fracturantes o arquétipo duma notícia, mudou definitivamente: para o ser, tem que ser expectável e anunciada, não se vá tornar num incómodo para o redactor, ou pior, contrariar as suas “convicções editoriais”.
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