Monday, April 19, 2010

Incómodos como Cristo


Por estes dias os diligentes zeladores do "pensamento bom" urram quais virgens ofendidas com a tolerância de ponto concedida para a visita de Bento XVI no mês que vem. Desta vez, a brigada dos bons costumes, para além dos habituais prosélitos ateus, reúne em coro as duas grandes estruturas sindicais numa rara unanimidade de causas: a sacrossanta “igualdade” do laicismo, e imagine-se, uma burguesa e mercantil preocupação com a “produtividade”. Infelizmente, suspeito que uma paralisação dos serviços públicos em Portugal não belisque significativamente a criação de riqueza nacional, antes pelo contrário.


Eu sou daqueles que considera uma mera questão de higiene a redução aos mínimos essenciais o relacionamento entre o Estado e a Igreja Católica, como salvaguarda da instituição cristã que tanto prezo. E presumo que esta transigência do Estado para com os católicos, não reflicta mais do que uma atitude de bom senso, tendo em vista a prevenção de aspectos ligados à segurança e mobilidade dos cidadãos que desejem - ou não – bem receber em Portugal o sucessor de S. Pedro.


De resto, considerar de igual modo aquilo que é diferente constituiria sempre um grave erro de avaliação da realidade: para os portugueses, a visita do Papa não é a mesma coisa que uma visita do Dalai Lama. É que, apesar da assanhada cultura do hedonismo e superficialidade mediática que vivemos, o processo de descristianização da sociedade portuguesa ainda demorará umas quantas gerações, e remeter os católicos resistentes para as catacumbas não será do pé para a mão. Enquanto assim for, e os zeladores não optarem por politicas de repressão mais despóticas, terão de aguentar-nos assim: muitos e incómodos.

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