Não consta que tenha sido uma velha de colar de pérolas em Bruxelas a alertar o governo português para a manifesta insuficiência das medidas previstas no Programa de Estabilidade e Crescimento para o controlo do deficit e da divida pública. Para lá do folclore e das estratégias de propaganda do governo e das oposições, a questão fundamental foi ontem muito bem sintetizada pelo insuspeito Carlos Félix Moedas num artigo publicado no jornal I: tendo em conta a nossa fraca produtividade, a curto prazo restam-nos duas soluções, ou abandonamos o euro ou reduzimos o custo do trabalho. Despertando lentamente dum estratégico "estado de negação", o governo de José Sócrates encontra-se hoje sitiado pela trágica realidade e perante ela não se vislumbra uma forma “elegante” de Pedro Passos Coelho se descartar dum discurso tão responsável quanto impopular: suspeito que não lhe resta outra alternativa do que dar bom destino à sua voz de barítono e pose de estado para alertar e motivar os portugueses para os duros tempos que se aproximam. A gravidade da situação não concede espaço para grandes jogadas ou demagogias e os portugueses, que terão que se assumir como parte da solução, têm que saber o que os espera: trabalho e sacrifícios.
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