Perante a negra conjuntura da economia nacional cuja produção de riqueza está longe de cobrir a sangria de gastos públicos, uma greve da Função Pública assume-se nos dias de hoje como uma irresponsável afronta aos portugueses que ainda têm emprego e que a sustentam.
A alimentação da insaciável máquina de funcionalismo estatal e empresas públicas ou associadas é cada vez mais um involuntário e penoso dever de cada vez menos contribuintes. De facto cada vez são menos aqueles que diariamente por mérito e num constante desafio ao empreendedorismo e força de vontade lutam pelo sucesso ou sobrevivência dos seus projectos, empresas ou simplesmente postos de trabalho.
Repito: nas actuais circunstâncias, que esta privilegiada Classe bafejada com empregos vitalícios, que não dependem do mérito, eficácia ou rentabilidade, faça uma greve parece-me uma aviltante afronta para com os trabalhadores deste país. Uma imoralidade.
Ex.mo Senhor João Távora:
ReplyDeleteO meu comentário resume-se a uma única questão. Os privilégios de que diz benificiarem os trabalhadores da função pública não serão bem privilégios. Trata-se de direitos que, pura e simplesmente, as empresas não garantem aos trabalhadores do sector privado. A via não é retirar a uns os direitos que deveriam ser de todos. A via é garantir a todos os direitos que alguns ainda têm, e, aí, parece-me óbvio que o Estado, como pessoa de bem, deverá dar o exemplo. O que me parece imoral é vivermos num país onde a lei não é cumprida. Nos países mais desenvolvidos da Europa não se verifica essa assimetria entre público e privado, precisamente por aos que servem o privado serem garantidos os mesmos direitos. Imoral é pugnar por uma injustiça social generalizada. Ficará o Senhor mais feliz se estivermos todos mal (aliás, parece-me que os parasitas deste país se encontram nas administrações das grandes empresas e não no Estado).Amanhã, alguns estarão a lutar pelos direitos de todos.
Subscrevo o comentário do Sr. Miguel Palma e acrescento que:
ReplyDeleteAfronta é, ter de trabalhar até aos 67 anos e sair da F.Pública com 53 anos de serviço e nesta altura ainda sou penalizado;
Afronta é, ter de sustentar os parasitas da sociedade, que gerem a seu belo prazer as empresas públicas e privadas;
Afronta é, as pensões acumuladas dos nossos governantes e os funcionários públicos que paguem a crise, pedindo-nos contenção;
Afronta é, todos os direitos que foram adquiridos ao longo dos anos (mesmo no tempo do chamado fascismo) com algumas lutas, desaparecerem de um momento para o outro, porque alguém gastou de mais e não soube fazer as contas;
Afronta é, a confusão dos números com que os nossos governantes gerem o dia a dia do país, cometendo uma "argolada" ali e outra acolá;
Afronta é, perguntar-se de véspera quem é que vai fazer greve amanhã. Isto sim, é uma afronta.
Entende agora o que é afrontar os chamados funcionários de vinculo vitalício (como diz?)
Luis Pinto