Foi tão condescendente quanto carinhosos o veredicto que o meu filho pequenote sentenciou ontem a mãe (logo ontem): “tu não és o meu pai!”. Este fenómeno de idolatria, acontece tanto para meu deleite quanto para mal dos meus pecados: o miúdo nutre por mim uma profunda admiração, assim uma espécie de complexo d’ Édipo ao contrário, que sei bem um dia se vai virar contra mim. Mas por agora tudo o que eu faça ou não faça, significa para ele sempre pouco menos do que um acto heróico. Também sei quanto ele detesta o meu trabalho, os meus livros sem figuras, os meus discos de música “chata” e em especial o computador portátil que é afinal maior ameaça às nossas brincadeiras. Uma irresistível canseira a gozar enquanto dura.
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