Nas suas recentes entrevistas, Caetano Veloso, músico que admiro desde a minha tenra juventude, conhecido pela sua rebeldia de tonalidades esquerdistas do início da carreira, hoje acusa Lula de grosseria e vai deixando escapar um discurso sereno, racional e realista que muitos acusam ser de direita sem que o cantor refute esse crime.
Joan Baez, que toca logo à noite no Coliseu, é uma das vozes mais importantes da música de intervenção dos anos sessenta. Quando a jornalista do Sol (26 Fev, p.52) a questionou sobre «se escrevesse hoje uma canção que tema abordaria?» a cantora quase a fazer setenta anos, respondeu que «As pessoas deveriam saber que actualmente passo muito tempo com a família». Sem mais.
É universalmente aceite que, regra geral, o passar dos anos refreiam os ímpetos mais subversivos às pessoas, e o avançar da idade tende apurar a racionalidade e bom senso.
É assim que me permito vislumbrar algo de positivo no meu País do ano 2050, em que se prevê que cerca de um terço da população terá mais de 60 anos... sem reforma mas plenos de juízo e sabedoria. Imaginem por exemplo, como será nessa altura a propaganda política e a publicidade em geral, com as quotas de imbecilidade restringidas ao mínimo. De resto, suspeito que o panorama demográfico incluirá umas raras crianças e jovens, maioritariamente provenientes de meios conservadores e católicos, dalguma minoria étnica ou casais excêntricos. Talvez então a nossa proverbial adolescentocracia entre finalmente em regressão, perante uma emergente cultura contra-revolucionária de origem... demográfica. Isto, claro está, se não andarmos todos a aprender árabe como língua obrigatória.
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