Em tempos da minha juventude li o Macaco Nu (The Naked Ape), livro em que Desmond Morris, o autor, descrevia com graça a espécie humana sob um prisma da etologia, uma disciplina da zoologia com influências evolucionistas onde se relaciona o reportório comportamental das espécies com as suas peculiaridades anatómicas. Citando de memória, a determinada altura o autor abordava o pacto de monogamia do casal humano (casamento) como um compromisso determinado pela necessidade duma aliança duradoura com vista à promoção da autonomia às suas crias, que em comparação às outras espécies se prolonga extraordinariamente. O autor exemplificava o caso dum potro, que ao fim das primeiras horas já anda, e que após poucas semanas é completamente autónomo, enquanto este processo numa criança pode durar entre seis a dez anos.
Tudo isto para dizer que o homem possui a sua própria ecologia, e que me parece inegável que o “casamento” tem como fundamento original potenciar a geração de descendência com eficácia – daí o Amor, sentimento desconhecido nas outras espécies. Num tempo em que tanto se apregoa a protecção do ambiente, das florestas aos mais insignificantes insectos, não será altura de proteger o Homem de si próprio?
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