O odioso Maltazard
Ontem, como é costume duas vezes por ano, em Agosto e pelo Natal, levámos os miúdos mais pequenos com os primos da mesma idade para uma tarde de cinema. À falta duma produção de qualidade que pudesse ser vista por todos (duvidámos do arcaboiço dalguns para verem a nova versão dO Conto de Natal de Charles Dickens pela Disney), imprudentemente escolhemos o segundo da saga Artur e os Minimeus, A Vingança de Maltazard do realizador francês Luc Besson, fita que se veio a revelar uma verdadeira e dispendiosa burla: quando nada fazia prever, e após mais de uma hora de uma confusa mistura de “acção” Play Station e exaustivas explicações sobre o obscuro guião feitas pelos próprios protagonistas, a sessão é interrompida com a mensagem “Continua”, deixando os espectadores atónitos com o abrupto final. Tenho ideia que nem um episódio duma má telenovela acaba desta forma. De resto este precipitado desenlace, afinal veio a meu contento: este filme, que mistura imagens reais e desenhos computorizados, gnomos e insectos, uns misteriosos e gigantescos nativos africanos, os guardiães duma propriedade algures na América onde vivem os avós de Artur, pretende ser uma apologia à fantasia, ao amor à Mãe Natureza em geral e aos insectos em particular, uma prece ao Sacrossanto Ecossistema e à irreverência das criancinhas, em contraste com a imbecilidade dos pais em particular, e da civilização ocidental em geral. Nesta salganhada ideológica não é de subestimar a maldade encarnada, o terrível Maltazard, um horrendo insecto que exibe uma cabeça fundida numa espécie de mitra cardinalícia. Enfim, tudo afinal não passa de um chorrilho de lugares comuns suburbanos da moda, uma estúpida fraude para poluir as mentes confusas das criancinhas e entreter o burguês ignoto. Um conto do vigário a evitar.
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