Numa ingrata postura de "responsabilidade", o PSD e o CDS estão como gatos em telhado de zinco quente na questão da viabilização do Orçamento de Estado. Nenhum dos dois quer ser o SPD de Sócrates (que para mal dos nossos pecados nunca será a nossa Merkel), ter esse ónus para exibir num imprevisível julgamento eleitoral que pode tornar-se realidade a qualquer momento. Os sociais democratas levam vantagem na gestão do dilema, pois a direcção a apresentar-se a votos nunca será a mesma que a que hoje negoceia com o governo. Às vezes é preciso repetir e sublinhar as evidencias: seja qual for o orçamento negociado, não comportará os cortes nas despesas indispensáveis para a economia do país manter o nariz à tona do pântano nos anos que se avizinham. Essa é que é a decisiva irresponsabilidade cuja cumplicidade infelizmente nenhum dos dois partidos escapa.
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