Friday, December 4, 2009

Melomanias - Brian Eno

O senhor que canta ali em baixo (e nas fotos)

chama-se Brian Peter George St. John le Baptiste de la Salle Eno, e, se não é um artista genial guardado para o altar da posteridade, é pelo menos um dos músicos que mais têm deliciado os meus sentidos auditivos e veia poética. Mais conhecido por Brian Eno, este musicólogo, compositor e cantor britânico, frequentou belas artes nos anos sessenta onde sofreu influências da corrente minimal, e desenvolveu técnicas de exploração da fita magnética como instrumento musical. Ingressado no inicio dos anos setenta na celebre banda “glam” Roxy Music (voz e sinalizadores), cedo se incompatibilizou com Brian Ferry com quem rivalizava a liderança do grupo: consta que durante os concertos, autênticas claques defrontavam-se aclamando cada uma o seu ídolo.

Cansado da acidentada vida de estrela pop, e após a sua experiência a solo Here Come the Warm Jets de 1974, um disco com reminiscências “glam rock” mas já com as famigeradas inovações electrónicas, Brian Eno foi embrenhando a sua carreira e experiências músicais na investigação de ambiências, tonalidades e texturas sonoras que hoje caracterizam a sua música.

Do inicio dessa carreira a solo, a obra que mais me marcou foi Before And After Science, um disco que inclui verdadeiras pérolas musicais, em que vagas de sonoridades sintetizadas sucedem a brilhantes frases melódicas de tão simples quanto geniais canções pop. Reza a história que este disco foi a primeira experiência de "música de laboratório", aquilo que veio a ser o moderno processo de produção em estúdio: a pré-gravação dos diversos instrumentos, vozes e sonoridades em pistas independentes, e um posterior trabalho de montagem “corta e cola” com o qual se obtém um diferente produto final. Deste disco, muitos conhecerão  o melancólico tema By This River que foi utilizado por Nanni Moretti no seu filme O Quarto do Filho.

Meu fiel companheiro de muitas horas de audição é o disco da banda sonora inspirada na missão da Apollo 11 e na paisagem lunar, em que pontifica o guitarrista de Peter Gabriel Daniel Lanois. Um sortilégio de disco, simplesmente soberbo para, por exemplo, acompanhar um namoro feliz.

Brian Eno aventurou-se e especializou-se no campo da música ambiente, ou “complementar” em que é mestre: para além do celebre trilogia Music For Airports, em que a elaboração sonora é desenvolvida como complementaridade com ambientes, outras experiências lhe sucederam, como a obra Thursday Afternoon onde a música pretende-se influenciadora de atmosferas, no caso de uma série de sete "vídeo pinturas". Disco altamente recomendável para acompanhar uma leitura leve numa tarde de Verão, de preferência perante uma bela paisagem.

Reconhecido como um genial escultor de sonoridades, criador de ambientes e "texturas electrónicas", Brian Eno deixou a sua marca em muita da melhor produção musical contemporânea, como na celebre trilogia de David Bowie - Low, Heroes e Lodger, em sete dos álbuns dos U2, colaborou com os Génesis, Peter Gabriel, John Cale, Cluster, Robert Fripp, David Byrne, os James, Laurie Anderson, Coldplay, Paul Simon, Grace Jones, entre muitos outros.

 

 

 

 

Leia aqui para saber mais sobre Brian Eno

 

 

 

2 comments:

  1. Por ter lido os seus comentários no blogue de João Tunes, no local onde havia colocado um pequeno e despiciendo comentário sobre o assunto em epígrafe, venho dizer que nada me move contra as opções e a sua manifestação. Este pequeno aparte apenas serve para lhe manifestar a minha concordância por esta sua preferência musical, que partilhamos, e por uma outra, essa também importante, a de "sofredor" do Sporting Club de Portugal.
    Bem haja.

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    1. Caro carlos: as pessoas têm muito mais coisas em comum do que aquelas que as dividem. Aquilo que verdadeiramente as pode unir são os princípios, que são universais. Assim sejamos nós livres de espírito e capazes de tolerar as diferenças.
      Cordeais cumprimentos

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