Da varanda larga a claridade do sol ofuscava o quarto, enquanto a tarde avançava longa como as infindáveis férias de verão na cidade de cimento. Pelos raios de luz, volteavam microscópicos grânulos de pó, e num insólito protagonismo meia dúzia de moscas rebrilhavam numa desatinada dança de acasalamento. A criança pequena, entediada dos seus brinquedos, embalava-se em espirais de tonturas, enquanto descortinava uma estranha revelação: as voltas dos anos, o eterno retorno, do novo e do velho, do começo e do fim. Um eufórico contentamento invadiu o seu pequeno coração: tomando noção de si, percepcionara o dom da vida que adivinha a morte, um percurso tão eterno como cada dia, cada estação, cada ano; uma história sem fim que afinal estava a começar. O menino girava dançando com as moscas, por entre o pó e os raios de luz.
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