Quando Domingo de madrugada acidentalmente sintonizei na TV o final do programa Eixo do Mal, em que os seus intervenientes blasfemavam unanimemente numa despudorada risota por conta da posição da Igreja sobre o “casamento” entre homossexuais, confesso que cedi a um certo desânimo.
Aquele triste espectáculo não me deveria surpreender, pois resulta, para além da vulgar má criação e mau gosto dos intervenientes, duma perda radical de influência dos católicos na sociedade portuguesa, fenómeno que propícia um primário e despudorado discurso anti-religioso e anti-clerical a que nos vamos habituando. Por todo o lado, dos blogues aos meios de comunicação de referência é cada vez mais vulgar observar um patológico ressentimento e as insinuações mais vis sobre a Igreja, a sexualidade dos padres ou sobre a ignorância dos fiéis: um dia destes na Antena 1, num programa de debate em prime-time “O Esplendor de Portugal” que versa assuntos de actualidade, um dos participantes gracejava, sem causar qualquer reacção para além de risota, que não deveria ser permitida a circulação de crianças perto dum seminário. Assim, sem mais!
Confesso que a minha primeira preocupação resulta algo egoísta, prendendo-se com a minha manifesta dificuldade em proteger os meus adolescentes deste envenenamento ideológico, que se reflecte implacável nas suas vidas em que, para lá dos ambientes familiares, dificilmente encontram "na rua" referências aos nossos modelos de educação. De facto, nós os católicos praticantes (ou cristãos em geral) somos hoje uma ínfima minoria, e eu não vislumbro inversão da tendência: ao fim de dois mil anos de história a Igreja Católica vive na Europa a sua mais profunda crise desde a fundação, que conduzirá a prazo ao seu desaparecimento na forma como hoje a conhecemos, talvez tornando-se numa minoritária organização semi-clandestina. Uma previsão apocalíptica para a qual não é necessário ser perito.
De resto a História não acabará assim: habituada às mais duras provas de vida, a Igreja de Pedro encontrará sempre lugar nos corações dos homens simples que buscam consolo e redenção, seja na Europa ou em qualquer lado do Mundo. E acredito que, para lá dalgumas criteriosas reformas, o catolicismo sobreviverá e florescerá em África, nas Índias e na Ásia, na senda da dignificação e conforto dos homens e mulheres, espantosos seres únicos e divinais criados à imagem e semelhança de Deus.
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