Há para mim poucas coisas tão fascinantes quanto os primeiros relatos dos miúdos pequenos, quando para lá do irresistível fascínio que nutrem pelos pais começam a ter uma vida própria. Comovo-me sempre que vou buscar o pequenito à escola e entrevejo-o, minúsculo e titubeante, mas já pessoa, nos seus despiques com os coleguinhas. Ao fim do dia é debalde que eu tento satisfazer a minha benigna curiosidade e arrancar-lhe alguns episódios da sua vidinha: o que foi aquele arranhão, se brincou no escorrega, se gosta mais da Né-né ou do Pedro... O resultado é sempre frustrante: tudo o que sei do seu pequeno mundo e das suas histórias sei-o pela educadora ou então conjecturo à conta dalgumas deixas acidentais que ele solta a despropósito dalguma brincadeira nossa. Tal e qual o Principezinho de Saint Exupery.
Foi deste modo que no ano passado eu descobri que o pequenote tinha um amiguinho predilecto na sua sala de aula: o Lucas, “aos saltos”, como a ele depois se referiria repetidamente nas férias grandes, relembrando o colégio.
Aconteceu que o Lucas este ano não voltou para o colégio e o meu filho continua a inclui-lo nos seus acidentais relatos. Na segunda-feira, a educadora confidenciou-me que, quando na aula ela faz a chamada dos meninos e pergunta se falta alguém, o meu filho responde que “falta o Lucas”.
Agora, adeus que tenho que ir para casa depressa abraçá-lo.
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