Friday, February 27, 2009

O perdão a história e o erro

Independentemente do que me parece ser a intransigência dos ofendidos, considero  louvável o pedido de perdão do bispo Richard Williamson, por ter negado o Holocausto. Afinal os cristãos não se distinguem por qualquer dom especial de inocência, mas pela pressuposta exigência de arrependimento e regeneração face ao erro.


“Para todas as almas que ficaram verdadeiramente escandalizadas com o que eu disse, diante de Deus, peço perdão” declarou o bispo numa carta, escrita ao Vaticano. Nela, Richard Williamson afirma que “o Papa e o meu Superior, D. Bernard Fellay, solicitaram que eu reconsidere as observações que fiz na televisão sueca há quatro meses atrás, pois suas consequências têm sido muito pesadas”.


Segundo explica, “observando essas consequências, posso verdadeiramente dizer que lamento ter feito essas observações, e que se eu soubesse de antemão o dano e dor a que elas dariam origem, especialmente para a Igreja, mas também para os sobreviventes e parentes das vítimas da injustiça sob o Terceiro Reich, eu não as teria feito”.


De resto, exigir-se que a Igreja Católica, uma instituição global, milenar, eminentemente orgânica e plural, reflicta uma imagem unívoca à maneira dum partido político gerido por uma agência de comunicação, é um equívoco tremendo, só possível por má fé ou ignorância potenciada pela ditadura do sound bite, ou da "informação chiclete".


 

2 comments:

  1. João, percebo a sua defesa e até lhe dou razão: na Igreja Católica, ao contrário de outras, há liberdade para cada um dizer o que pensa. Mesmo que seja uma enormidade como esta, que ultrapassou tudo o que é permitido. E até reforço os seus argumentos, dizendo que não conheço nenhuma outra Igreja que tenha pedido publicamente perdão pelos erros cometidos, um verdadeiro exemplo de humildade e nobreza dado por essa extraordinária figura que foi João Paulo II.

    Dito isto, o problema mantém-se: um "puxão de orelhas" a um representante da Igreja Católica que defende uma barbaridade destas - para mais, uma mentira largamente comprovada - que ofende, não só o povo judeu, mas a humanidade inteira... não chega. Não só não leio na retractação de Williamson um verdadeiro arrependimento, mas apenas um "jeito" contrariado a que foi obrigado pelos seus superiores (com muito atraso, ainda por cima), como acho que a liberdade de expressão acarreta consequências e responsabilidades. A Igreja Católica não pode ser simultaneamente intransigente em temas de fundo e benevolente nas falhas graves dos seus membros.

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