Hoje pela manhã à hora marcada acordei assustado pelo despertador que troava notícias sobre a crise e o desemprego, a propósito do processo de falência fábrica Qimonda, cujo nome até lembra o de um animal selvagem, uma cobra gigante, sei lá!
Numa altura em que a crise económica desce das congeminações politicas e dos artigos de jornais para a vida das pessoas e das suas famílias, o medo, esse possante sentimento animal, ganha terreno no nosso quotidiano. Isso preocupa-me muito. O medo é uma afecção psicológica muito estranha, quase perversa: tanto nos salva da morte à beira do precipício como nos inibe de alguma redentora conquista. O medo é o principal inimigo da realização humana, e o maior adversário da liberdade individual.
O medo medra bem num contexto de crise como o presente, e é potenciado pelo deficit cultural e pela fraca auto estima duma pessoa ou dum povo. O medo liquida a democracia. E se o medo potencia a inércia e a omissão, também acciona a violência irracional. Concluindo, parece-me que esse terrível sentimento existe para ser racionalizado e superado: só desta forma é que as pessoas ou os povos alcançaram extraordinários objectivos.
Passado o tempo de reclamarmos pela liberdade formal e exterior, não será esta a altura de descobrirmos que ela se conquista essencialmente de dentro para fora de nós?
É verdade, João, o medo liquida a democracia e impede até um raciocínio claro, o que é dramático. É manipulando o medo de um povo que todos os ditadores exercem o seu poder. Serenidade e maturidade são os únicos antídotos que conheço para esse veneno, e nem sempre são suficientes para lhe escaparmos.
ReplyDeleteOff topic: acabei de reparar em dois números curiosos do Risco: até agora, houve 500 posts e 1313 comentários. Fica o registo do momento.
ReplyDeleteBem observado Ana. Estamos só no principio da nossa existência! :-)
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