Há um determinado tipo de notícias às quais reajo instintivamente com uma epidérmica rejeição: impelem-me a mudar de canal, saltar de página ou desligar o rádio. Aqui enumero algumas - que por mais que reflicta não lhes reconheço um claro traço comum, a não ser o seu cariz folhetinesco e um amargo sentimento de impotência a que me submetem: os incêndios de verão, alimentos sob suspeita, alarme de epidemias e... “o caso Esmeralda”.
Sobre este assunto – uma trágica e irresolúvel telenovela - num autêntico acto sacrificial, hoje li um episódio do drama aqui. Sem querer ser desmancha prazeres, assumo que não tenho partido nesta questão, e como Pinto Monteiro suspeito que na ausência de uma salomónica resolução, a contenda só se resolverá quando a miúda fizer dezoito anos. Entretanto, parece-me do mais basilar bom senso que as partes envolvidas, pais biológicos e afectivos, saibam colocar os seus interesses para segundo plano, desintoxicando o mais que for possível a vida afectiva da miúda, atitude difícil que lhes exige um alto grau da mais pura generosidade. Só assim se poderá evitar a multiplicação dos danos colaterais originados pela intricada série de equívocos de que nenhuma das partes sai inocente.
Como sempre, em todas as questões sociais e humanas, a solução mais fecunda encontra-se na atitude e na força vontade das pessoas intervenientes.
Remato este modesto texto com uma frase fulcral retirada da mensagem de Natal do Papa Bento XVI: Se cada um pensar só nos próprios interesses, o mundo não poderá senão caminhar para a ruína.
Sunday, December 28, 2008
O resgate da Esmeralda
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O espelho de Alcácer
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Este é um dos casos que só uma decisão salomónica resolveria: aparentemente, nenhuma das partes pensa no que é melhor para a miúda, pelo menos a ponto de estar disposta a abdicar dela...
ReplyDeleteCara Ana: Além do mais um deplorável espectáculo ...
ReplyDeleteÉ lamentável tudo o que se tem passado. Para mim, que nada entendo de maternidade, é um mistério que os pais afectivos não ponham a criança acima de tudo e que sejam abnegados e genuinos, se a amam, acima do seu próprio umbigo e frustração. Se o amor for grande, a criança voltará certamente. Não compreendo.
ReplyDeleteMuito folgo encontrá-la por aqui, Leonor! :-)
ReplyDeleteEu venho cá muitas vezes, ouso dizer todos os dias, mas sou comedida nos comentários. Um bom 2009, João, e muito sucesso para este Risco :-)
ReplyDeleteBoa tarde,
ReplyDeleteGenerosidade e bom senso, são posturas que no caso concreto não têm existido, para infortúnio da menina.
A menina não tem culpa dos erros cometidos pelos "pais" no passado, mas é ela quem tem pago por eles, mais do que os adultos.
Fiquei perplexa quando soube que a guarda da Esmeralda tinha sido entregue ao pai biológico.
Sou mãe, não é preciso ser médica e/ou ter formação em psicologia ou pedopsiquiatria para sabermos que uma transição desta natureza vai causar graves traumas na cabeça daquela menina.
Mas os tribunais cumprem a lei, e a lei está do lado do pai biológico...nada mais parece interessar!